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Notícia de Ciência e Saúde
EVOLUÇÃO Extinção dos dinossauros levou à multiplicação de espécies de sapos Dez espécies de sapos sobreviveram à extinção dos dinossauros, há 66 milhões de anos, após a queda de um asteroide que eliminou 75% da vida na Terra

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 07/07/2017 14:39 Atualizado em: 07/07/2017 14:41

Foto: Reprodução/Florida Museum
Foto: Reprodução/Florida Museum

O desaparecimento dos dinossauros permitiu que os sapos se multiplicassem e se tornassem um dos vertebrados com mais variedades do mundo, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira. Dez espécies de sapos sobreviveram à extinção dos dinossauros, há 66 milhões de anos, após a queda de um asteroide que eliminou 75% da vida na Terra, detalhou o estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Entre as sobreviventes, só três grandes espécies de sapos conseguiram se diversificar e povoar o planeta. Atualmente existem 6.700 variedades. Quase nove de cada 10 sapos contemporâneos (88%) são descendentes destas linhagens. "Os sapos existem há mais de 200 milhões de anos, mas este estudo demonstra que não foi até a extinção dos dinossauros que tivemos esta explosão de variedades que resultaram na maioria dos sapos que vemos hoje", explica David Blackburn, coautor do estudo e conservador adjunto de anfíbios e répteis do Museu de História Natural da Flórida.

"Estas descobertas são totalmente inesperadas", ressalta. Até agora, os cientistas acreditavam que as diferentes espécies de sapos tinham aparecido progressivamente no final do Cretáceo, há entre 66 milhões e 150 milhões de anos. Mas este último estudo mostra que o aparecimento de sapos ocorreu como uma "explosão": os pequenos anfíbios se aproveitaram do desaparecimento de outras criaturas e se instalaram nos habitats que estas deixaram.

Cientistas da China e dos Estados Unidos criaram para a pesquisa a maior base de dados que existe sobre sapos. Para isso, colheram amostra genéticas de 156 espécies, e acrescentaram informações já existentes sobre outras 145. O estudo analisou 95 genes - os anteriores só examinaram entre cinco e 12 - e os pesquisadores também estudaram fósseis para saber quando as novas espécies se formaram.

Descobriram que "não houve uma, mas três explosões de novas espécies de sapos em distintos continentes, todas concentradas após o desaparecimento maciço da maioria dos dinossauros e de muitas outras espécies há cerca de 66 milhões de anos". Duas das três linhagens que sobreviveram, Microhylidae e Natatanura, vêm da África. A terceira, Hyloidea, se estendeu pela América Latina.

Eventos evolutivos semelhantes aconteceram com algumas espécies de pássaros, disse o coautor David Hillis, professor de Biologia na Universidade do Texas, em Austin.


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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