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Notícia de Ciência e Saúde
PESQUISA Estudo revela proteína central para o câncer Proteína pode ser utilizada como um marcador para identificar precocemente a agressividade do melanoma

Por: AE

Publicado em: 30/06/2017 09:08 Atualizado em:

Um grupo internacional de cientistas identificou uma proteína do melanoma - o tipo mais agressivo de câncer de pele - que tem um papel central no processo de alastramento da doença para outros órgãos do corpo. De acordo com a pesquisa, publicada na revista Nature, inibir a proteína pode ser um caminho para impedir a metástase. Além disso, essa proteína pode ser utilizada como um marcador para identificar precocemente a agressividade do melanoma.

"Nós conseguimos descobrir mecanismos até agora desconhecidos no desenvolvimento do melanoma e identificamos novos marcadores de metástase que foram validados em amostras de pacientes. Esses resultados abrem novas rotas para tratamentos farmacológicos", disse a líder do grupo internacional que realizou o novo estudo, Marisol Soengas, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha.

Os cientistas já suspeitavam que, antes de se espalhar, os melanomas "preparavam o terreno" nos órgãos antes de colonizá-los. Acreditava-se que o processo começava com a ativação de vasos linfáticos em torno do tumor, depois nos nódulos linfáticos adjacentes, até chegar aos órgãos mais distantes.

No entanto, experimentos indicavam que havia algum elemento faltando nesse hipótese: a remoção dos nódulos linfáticos próximos do tumor não impedia a metástase e o câncer se espalhava da mesma forma. Para solucionar o mistério, os cientistas desenvolveram um modelo inovador para o estudo do melanoma em animais: camundongos geneticamente modificados que emitem luz quando os vasos linfáticos ligados à metástase são ativados. Com isso foi possível mapear as proteínas secretadas pelo tumor.

"Descobrimos várias proteínas secretadas especificamente por melanomas que se espalham de forma mais agressiva - e focamos em uma delas, chamada MDK, porque ela ainda era desconhecida e poderia representar um alvo terapêutico alternativo", disse Marisol.

Depois da descoberta em camundongos, os cientistas mostraram que pacientes humanos com níveis mais altos de MDK em seus nódulos linfáticos têm prognóstico pior. Assim, a proteína pode ser utilizada como um marcador de agressividade do melanoma. Em outro experimento em animais, o estudo também revelou que, ao inibir a expressão de MDK, a metástase também é bloqueada. "Encontramos na MDK uma possível estratégia para o desenvolvimento de futuras drogas."

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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