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Notícia de Ciência e Saúde
Pesquisa Uma lata de cerveja por dia aumenta chance de câncer de pele em 14% Estudo sugere que o consumo regular de bebidas alcoólicas está ligado a um risco aumentado de desenvolvimento de melanoma

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 06/12/2016 08:50 Atualizado em: 06/12/2016 08:54

A presença de acetaldeído em bebidas alcoólicas pode estar ligada ao surgimento do tumor. Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas
A presença de acetaldeído em bebidas alcoólicas pode estar ligada ao surgimento do tumor. Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas

A ingestão de álcool comprovadamente causa sete tipos de câncer e é responsável por cerca de 3,6% dos casos da doença ao redor do mundo. Segundo pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, a lista pode ficar maior. Um estudo publicado, neste mês, na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention sugere que o consumo regular de bebidas alcoólicas está ligado a um risco aumentado de desenvolvimento de melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele.

A pesquisa foi liderada por Eunyoung Cho, professor-associado de dermatologia e epidemiologia da Universidade Brown, e mostra que beber diariamente mais de 12,8g de álcool — o equivalente a uma latinha de cerveja ou uma taça de 100ml de vinho — pode aumentar as chances de desenvolvimento de melanoma em cerca de 14%. Já o consumo excessivo de bebida, de mais de 20g diários de álcool, eleva o risco em 23%.

A relação é mais evidente quando se consideram melanomas surgidos em locais do corpo pouco expostos à luz do Sol, como peito, costas e abdômen. As chances de surgimento da doença nesses lugares aumenta em até 73% para quem consome álcool excessivamente, contra 2% na cabeça, no pescoço e nas extremidades.

A pesquisa utilizou dados de três grandes estudos anteriores que observaram os hábitos de consumo de álcool em mais de 200 mil participantes por um período de 18 anos. Os voluntários responderam a um questionário detalhado a cada dois anos, com perguntas sobre hábitos alimentares e histórico médico. Foram registrados 1.374 casos de melanoma entre os participantes.

Vinho branco
Os pesquisadores avaliaram também o aumento no risco de melanoma causado pelo consumo de quatro tipos de bebidas: cerveja, licor e vinhos tinto e branco. Cho diz ter ficado surpreso que a última foi a única bebida que, consumida independentemente das outras, pode aumentar as chances de surgimento do melanoma. Uma dose por dia de vinho branco pode elevar o risco em cerca de 13%.

Segundo o estudo, as bebidas podem causar câncer devido a uma substância chamada de acetaldeído, produzida no fígado durante a metabolização do álcool. Os vinhos têm quantidades altas da substância em sua composição, o que torna o consumo deles potencialmente mais perigoso. Para os pesquisadores, porém, os antioxidantes presentes no vinho tinto protegem contra o efeito do acetaldeído, tanto que a ingestão isolada dele não demonstrou aumento do risco de melanoma nos participantes.


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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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