INVESTIGAÇÃO

Criança de um ano é esquecida em sala escura de creche no Paranoá

Em um vídeo gravado pela família e divulgado pela TV Brasília, parceira do Correio Braziliense, é possível ver o local onde o menino foi deixado trancado sozinho, na escuridão. Nas imagens aparecem baratas circulando pela sala

Publicado em: 09/11/2023 17:35

O caso ocorreu no dia 6 de novembro (foto: Esi Grünhagen/Pixabay)
O caso ocorreu no dia 6 de novembro (foto: Esi Grünhagen/Pixabay)

Uma criança de um ano foi esquecida dentro de uma creche no Paranoá. O caso ocorreu no dia 6 de novembro. Ao chegar para buscar o filho, por volta das 19h, a mãe do menino ouviu o choro do bebê e encontrou a escola fechada. Após entrar no local com a ajuda de populares, ela encontrou a criança trancada dentro de uma sala escura e com baratas, conforme o vídeo divulgado pela TV Brasília, parceira do Correio Braziliense.

 

Pai do menino, Davi Nascimento usou as redes sociais para relatar o caso. Segundo ele, na noite da última segunda-feira (06), a esposa foi buscar o filho na creche Educa Mais, onde ele estava na segunda semana de adaptação. No local, ela se deparou com uma situação desesperadora ao encontrar a criança trancada sozinha dentro da unidade educacional. “Quando ela chegou para buscar ele, os populares já estavam lá escutando o choro do neném. Foi então que decidiram arrombar a porta para poder tirá-lo de lá”, detalhou no vídeo.

 

Ao entrar na creche, a mãe encontrou o filho em pé, no carrinho, em um quartinho escuro e cheio de baratas, com é possível ver no vídeo feito pela família e divulgado pela TV Brasília. “Uma coisa nojenta. Chamamos a polícia e fizemos boletim de ocorrência”, disse o pai da criança. Ele contou ainda que a funcionária responsável pelo menino teria alegado que o pequeno estava dormindo e que ela saiu e trancou a unidade, esquecendo que o bebê ainda estava lá. “É algo que nos deixou revoltados”, enfatizou Davi.

 

Segundo o pai da criança, a família tinha um acordo com a Educa Mais para que o menino ficasse sob os cuidados da unidade até às 19h. “Nós pagamos um valor adicional para esperarem até às 19h. A minha esposa chegava lá por volta das 18h50, porque ela sai do trabalho às 18h30”, comentou Davi, que é produtor musical e estudante de enfermagem.

 

No vídeo publicado pelo pai nas redes sociais, ele também pediu que outras pessoas também denunciassem a escola, caso tenham passado por alguma situação negativa com a unidade. “Infelizmente, isso aconteceu com o meu filho, mas esperamos que ocorra com mais ninguém. Vamos tomar todas as medidas cabíveis judicialmente”, disse Davi. A família fez um boletim de ocorrência na Polícia Civil do DF, que apura o caso.

 

A mãe de uma outra criança que já estudou na escola relatou ter aberto um processo contra a unidade. À TV Brasília, ela contou que o filho voltava frequentemente machucado para casa. Em uma das ocasiões, o menino teria sido agredido por uma professora, ficando com o olho roxo. “Alguém tem que parar essa escola”, exclamou a mãe.

 

Uma moradora local disse que passou próximo à escola por volta das 18h30 com o filho, chegando a comentar que não gostava da creche, porque sempre tinha crianças chorando bastante. Ela e o filho acharam estranho ter um bebê chorando naquele horário, pois o local estava escuro. “Quando vi a reportagem, comecei a tremer”, lamentou.

 

Veja:

 

 

 

Outro lado

 

Em nota, os advogados da unidade de ensino informaram que buscam assegurar que a Justiça seja feita tanto para a família e a criança, preservando sua imagem, conforme estabelecido pela lei, quanto para os funcionários e familiares que representam a instituição. “No dia 6 de novembro, uma série de circunstâncias atípicas levaram a uma situação em que a criança ficou sozinha na instituição por um curto período de tempo. E, no decorrer desse dia, pelo período da tarde, a diretora recebeu uma ligação de sua mãe, informando que sua irmã, que já tem um histórico de depressão diagnosticada, havia tentado suicídio, deixando-a preocupada em suas funções”, disseram no texto.

 

Segundo a defesa, a monitora encarregada da criança, nesse dia, não seguiu o protocolo estabelecido para o descanso das crianças, colocando-a na sala de balé, junto com outras duas crianças devido a barulhos que atrapalhariam os descanso. “Acreditando que todas as crianças já haviam sido entregues aos pais o que era rotineiro acontecer, a diretora saiu para deixar outra monitora até o Itapoã, devido à greve de ônibus”, relatou em nota.

 

Ainda de acordo com os advogados, durante o trajeto para deixar uma das monitoras, a diretora recebeu uma ligação de uma testemunha que ouviu choro vindo de dentro do colégio. “Diante dessa informação, ela, de prontidão, falou para arrombar o portão, tendo em vista que em razão do trânsito não conseguiria chegar rápido. O que foi feito, e, nesse momento, a mãe da criança chegou e ficou desesperada ao tomar conhecimento da situação, e com razão”, destacou a nota.

 

Por fim, a nota ressaltou que a instituição “não minimiza as preocupações e angústias dos pais e assume total responsabilidade, aceitando as consequências determinadas pela Justiça, a quem cabe analisar e julgar o que considerar justo”.

 

 

Confira as informações no Correio Braziliense.  

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