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SEGURANÇA NAS ESCOLAS

Pesquisa aponta: escolas públicas do Ensino Médio Integral são mais seguras

Publicado em: 04/01/2022 18:21

 (foto: Agência Brasil )
foto: Agência Brasil

Alunos de escolas públicas no modelo Ensino Médio Integral (EMI) estão mais seguros de violência escolar do que em colégios de outros modelos de ensino, conforme pesquisa do Instituto Sonho Grande, divulgada em dezembro do ano passado.

 

O estudo analisou o depoimento de professores e outros funcionários do modelo EMI e não-integral no Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) de 2019. Ou seja, a pesquisa não analisa o período de ensino remoto, que foi aplicado em 2020 e 2021 devido a pandemia. 

 

A pesquisa também analisou escolas com ampliação da carga horária e constatou que a violência escolar neste ambiente é menor do que em instituições não-integrais, mas maior do que o EMI. 

 

Em escolas do EMI, o índice de violência geral, como roubos e agressões físicas, é 8,6% menor do que em escolas de outro formato educacional. Já a violência velada, que enquadra ameaças, consumo de drogas e presença de armas, é 13,5% maior em escolas não-integrais. 

 

"Acreditamos que os mecanismos pelos quais o Ensino Médio Integral está associado a uma redução de violência nas escolas têm a ver com a sua proposta de matriz curricular que visa a formação integral dos estudantes a partir de uma proposta pedagógica multidimensional, conectada à realidade dos jovens e ao desenvolvimento de suas competências cognitivas e socioemocionais, essas últimas muito relacionadas à redução de comportamentos violentos e à promoção de um melhor clima escolar”, explica a Gerente de Estudos e Avaliações no Instituto Sonho Grande, Clara Schettino. 

 

Apesar de não ser um modelo de ensino popular, o Brasil tem cerca de 3720 escolas EMI e 778 mil estudantes. Conforme dados do último IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), a média dos alunos do ensino integral apresenta um desempenho e rendimento escolar de 4.7 pontos, sendo superior à brasileira, que é 4.6 pontos. 

 

O estudo ressalta que o tempo que o aluno fica na escola durante o dia deve ser usado com qualidade. Dessa forma, as escolas devem analisar as atividades que serão feitas e não “apenas ampliar a carga horária”. 

 

A pesquisadora explica que o maior tempo que os alunos passam na escola pode aumentar ou diminuir a violência conforme dois fatores: o efeito de concentração geográfica e o efeito de incapacitação. 

 

“A escola promove a concentração de jovens em um mesmo espaço, aumentando as interações sociais entre eles, nem todas positivas, o que pode levar a um maior número de conflitos e até mesmo de agressões, físicas ou não. Por outro lado, a escola ocupa o tempo dos jovens e os mantêm sob supervisão de adultos, o que os deixa com menos tempo e oportunidades para o envolvimento em ações violentas”, afirma Clara. 

 

“Os resultados da nossa pesquisa sugerem que o chamado efeito de incapacitação prevalece nas escolas de ensino integral, uma vez que a ampliação da jornada está relacionada com menores índices de violência. No entanto, a simples expansão da carga horária não é suficiente para a redução da violência. As análises realizadas mostram que o efeito na redução da violência é maior quando as escolas implementam o modelo de Ensino Médio Integral do que com a ampliação da jornada escolar pelo oferecimento de atividades complementares”, completa.

 

A pesquisadora comenta que as perspectivas salariais futuras também afetam as decisões educacionais dos alunos, como abandonar a escola e se envolver em atividades ilícitas ou violentas para um retorno financeiro mais rápido. Mas o modelo EMI também pode ajudar neste fator. 

 

“Os estudantes do ensino médio integral vêm apresentando melhor desempenho acadêmico e os egressos melhores resultados em termos de perspectivas futuras, com maiores taxas de ingresso na educação superior e maior renda. Conhecendo os maiores retornos que o modelo integral oferece, os jovens podem vislumbrar um caminho para atingir seus objetivos por meio da educação, afastando-os de situações de risco”, completa.

 

Para entender melhor o modelo EMI, o instituto produziu um manual explicativo que pode ser acessado neste link

 

Consequências para os alunos

 

Conforme Schettino, a violência escolar traz diversas consequências negativas para os jovens, principalmente no âmbito emocional. 

 

“Em um ambiente escolar violento, os jovens apresentam maiores taxas de absenteísmo, abandono e evasão, além de terem mais dificuldades para se concentrar e aprender, levando a piores níveis de desempenho escolar”

 

Além disso, os professores, funcionários das escolas e a comunidade, em geral, também sofrem as consequências. “Para os educadores, a violência está associada a níveis mais altos de rotatividade de gestores e professores que, por sua vez, se relacionam com uma pior qualidade do ensino ofertado”, completa Clara.  

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