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CRUZEIRO SOBERANO

Turistas brasileiros em Lisboa não conseguem retornar ao país e pedem ajuda

Publicado em: 17/03/2020 14:43

 (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução
Os 1.888 passageiros do Cruzeiro Soberano, da Pullmantur, que deixaram o Brasil há 15 dias, rumo a Portugal, estão pedindo ajuda para deixar a Europa e retornar para casa. Nesta terça-feira (17), um grupo representando os turistas se reuniu em frente ao consulado brasileiro em Lisboa e fez um vídeo (veja abaixo) para expor a situação que todos estão vivendo, sem ter onde ficar e como viajar de volta ao Brasil.

A grande maioria é de brasileiros que tinham planos de viajar pelo continente europeu antes de a epidemia do coronavírus se tornar uma pandemia. Sem ter como seguir viagem ou remarcar as passagens de volta, o grupo aguarda medidas do governo brasileiro e também um posicionamento da empresa da qual compraram os pacotes, para saber como serão acomodados até que a situação seja resolvida.

Maurício da Rosa, 53 anos, viajou com a mulher Andrea Fernandes Rosa, e os filhos Gabriela e Matheus, para encontrar Bruna, que mora em Barcelona há um ano. “Saímos do Brasil há 15 dias, quando havia apenas dois casos suspeitos no país”, conta. O cruzeiro, com origem em Salvador e Recife e Portugal como destino, foi impedido de atracar em Lisboa e os passageiros só conseguiram desembarcar em Cádiz. 

Ainda assim a autoridade portuária da Baía de Cádiz informou que “trata-se de uma exceção à ordem aprovada pelo conselho de ministros na passada quinta-feira, pela qual se proibia o atraque de cruzeiros em qualquer porto do país até ao próximo dia 26 de março, devido ao risco de propagação do Covid-19”. Os passageiros foram impedidos de voltar a entrar no cruzeiro, e 50 ônibus os levaram a Lisboa. “Os veículos foram escoltados”, recorda Maurício.

Segundo ele, que é gaúcho e mora em Porto Alegre, o primeiro-ministro português, António Costa, fez comentários contrários ao desembarque dos brasileiros pelas redes sociais. “Estamos à própria sorte. A empresa de viagens, CVC, não está nos dando suporte. As companhias aéreas não estão remarcando as passagens. Apesar de constar que a troca é gratuita no site da empresa, é preciso pagar 500 euros. E quem comprou um novo bilhete também não está conseguindo viajar”, lamentou.

Maurício ressaltou que o grupo decidiu ir para a porta do consulado brasileiro em Lisboa. “Somos brasileiros e queremos voltar para o Brasil. Queremos uma posição. Conseguimos que algumas pessoas entrassem para representar os grupos, pois mais de mil brasileiros estão presos aqui em Lisboa”, afirmou. 

Filha não consegue voltar para Espanha
 
O caso de Maurício é ainda mais complicado. A filha Bruna voou de Barcelona para Lisboa para encontrar a família e agora não consegue retornar para a Espanha. A outra filha, Gabriela, iria fazer um curso em Dublin, mas também não poderá viajar para a Irlanda.

“Nossos bilhetes de retorno saem de Barcelona, passam por Lisboa e voltam ao Brasil. Mas nós não conseguimos chegar a Barcelona. Agora a TAP (Transportes Aéreos Portugal) quer cobrar 500 euros para mudar o embarque para Lisboa, onde o avião vai parar de qualquer maneira”, diz. 

A TAP também transferiu a data de retorno para 9 de abril, mas a família estava programada para voltar ao Brasil ainda em março. “Só para ficar esse tempo extra, vou gastar R$ 1,5 mil a mais por dia com hospedagem e alimentação para cinco pessoas. A minha estadia vence amanhã”, conta.

Segundo Maurício, no consulado, pediram que fossem criados grupos, para mandarem planilhas com informações básicas de todos, como nomes e data do bilhete de retorno. “Estamos confeccionando esse material para ver se o consulado pode trabalhar a nosso favor”, disse. “Não estamos preocupados com o vírus, porque a situação está muito tranquila em Portugal, mas queremos voltar para a casa. Se tiver que cumprir quarentena, a gente cumpre, desde que seja no Brasil.Nós não estamos aqui de graça. Pagamos e pagamos caro”, disse.

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