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Suzi, trans entrevistada por Drauzio Varella, escreve carta: 'Errei e estou pagando'

Publicado em: 10/03/2020 11:10 | Atualizado em: 10/03/2020 13:40

 (Foto: Reprodução/TV)
Foto: Reprodução/TV
Depois da repercussão em torno da história da transexual Suzi Oliveira, entrevistada pelo médico Drauzio Varella, para uma reportagem para o Fantástico, a detenta resolveu se manifestar. 

Por meio de uma carta, divulgada pela advogada dela, Bruna Castro, Suzi afirmou ter ciência de seus atos e que está pagando por eles. "Errei, sim, e estou pagando cada dia, cada hora e cada minuto aqui neste lugar. Antes, não tive essa oportunidade, agora eu estou tendo. Apenas quero pedir perdão pelo meu erro no passado", escreveu. 

A trans ainda esclareceu que, em nenhum momento, a reportagem a questionou sobre qual crime ela teria cometido para estar presa. "Eu sei que errei e muito. Nenhum momento tentei passar por inocente e, desde aquele dia, me arrependi verdadeiramente e hoje estou aqui pagando por tudo que eu cometi", afirmou. 
Rafael Tadeu, que se apresenta como Suzi, cumpre pena na Penitenciária I José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande São Paulo por homicídio qualificado e estupro de vulnerável cometido em 2010. A reportagem da Rede Globo, veículada no domingo (1), era sobre transexuais que cumprem pena em presídios masculinos. Em nenhum momento, foi revelado quais crimes as detentas teriam cometido. Uma parte, em particular, comoveu o público. Drauzio pergunta para Suzi há quanto tempo ela não recebe visitas e ela responde que havia oito anos. 

Após isso, as pessoas se mobilizaram e centenas de cartas foram enviadas à trans. Isso até um grupo de advogados revelar o crime pelo qual Suzi foi condenada. De acordo com o processo, ela estuprou e matou por estrangulamento uma criança de 9 anos. Drauzio foi alvo de críticas por contar a história da detenta, sem revelar o passado dela. 

Em nota, o médico Drauzio Varella se manifestou sobre o caso e disse que não pergunta sobre os crimes cometidos pelos pacientes para não fazer julgamentos. "Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a medicina, seja no meu consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico", afirmou.
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