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ESTUDO

Fundação Oswaldo Cruz coordena ensaio clínico da OMS no Brasil

Publicado em: 27/03/2020 12:54 | Atualizado em: 27/03/2020 13:11

 (Fiocruz/Divulgação)
Fiocruz/Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na manhã desta sexta-feira (27), anunciou que coordenará o ensaio clínico Solidariedade, lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última sexta (27). A iniciativa tem como objetivo investigar a eficácia de quatro tratamentos para a Covid-19 e será implementada em 18 hospitais de 12 estados, com o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde. 

O pronunciamento contou com a presença da presidente da Fiocruz, Nívea Trindade Lima, do subsecretário geral de saúde do Rio de Janeiro, e da diretora do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Valdiléia Veloso. Na ocasião também foi anunciada a construção, no Rio de Janeiro, do Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19. A unidade hospitalar de montagem rápida terá 200 leitos exclusivos de tratamento intensivo e semi-intensivo de pacientes graves infectados pelo novo coronavírus.

Quanto ao ensaio, não há data definida para o início, mas a previsão é que comece o mais breve possível. Serão testadas quatro linhas de tratamento para pacientes em estado grave, em 18 hospitais de 12 estados brasileiros. Em Pernambuco, as atividades serão concentradas no Hospital Oswaldo Cruz. A projeção é de que o estudo seja realizado com 1.200 pacientes, distribuídos nos 18 hospitais que participarão do Solidariedade.

O estudo foi planejado para poder ser executado em um momento em que todos estão dedicados a cuidar de pacientes graves internados ao redor do mundo. A pesquisa incluirá somente pacientes hospitalizados, para atender à demanda mais urgente, que é a de oferecer tratamento para pacientes com quadro mais grave. “Nós estaremos trabalhando com as melhores práticas, a partir de todas as referências de qualidade, de segurança com os pacientes, e com uma atenção especial aos profissionais da saúde”, afirmou Nívea Trindade.

A primeira linha de tratamento será encabeçada pelo fármaco Remdesivir. Ele foi desenvolvido para combater o Ebola, mas não obteve bons resultados clínicos à época. Aplicado contra o coronavírus, salvou dois pacientes que encontravam-se em estado grave, um no Reino Unido e outro na Califórnia.

A segunda proposta consiste na aplicação da Cloroquina e Hidroxicloroquina. Apesar de ser a grande aposta do presidente Jair Bolsonaro, a diretora do INI/Fiocruz, Valdiléia Veloso, chamou atenção para os potenciais efeitos colaterais destes medicamentos e o perigo da automedicação. “Todo medicamento tem efeitos colaterais. A cloroquina e a hidroxicloroquina têm efeitos colaterais significativos que podem, inclusive, levar à morte. Recentemente um senhor que estava usando profilaticamente morreu e a esposa, que também estava usando, estava gravemente doente por intoxicação”, alertou a pesquisadora.

A combinação de Ritonavir e Lopinavir, fármacos utilizados para o tratamento do HIV, é a terceira opção. Testes realizados em Wuhan, na China, não foram muito promissores, no entanto, a eficácia na pandemia de SARS/MERS em 2002-2003 estimulou a comunidade científica para novos testes.

A última linha combina Ritonavir, Lopinavir e Interferon-beta. Interferons são proteínas produzidas pelos leucócitos para a defesa celular contra vírus, bactérias, fungos e células tumorais. Esta última opção não deverá ser utilizada em pacientes que se encontrem em estágio muito avançado. O Interferon-beta pode ocasionar dano aos tecidos.

Apesar de ter quatro linhas de tratamento definidas, uma das premissas do estudo é que ele seja adaptável, ou seja, caso surjam novas evidências as estratégias podem ser adequadas, com descontinuação de drogas que se mostrem ineficazes e incorporação de medicamentos que venham a se mostrar promissores. Nesse tipo de estudo, uma comissão central tem acesso a todos os dados e faz análises durante todo o processo, evitando que os pacientes sejam expostos a drogas ineficazes ou com toxicidade elevada. 

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