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RETALIAÇÃO

Eletricista é demitido após se negar a fazer corte de energia no Ceará

Publicado em: 24/03/2020 18:39

Funcionário se recusou a fazer o corte de energia no período de quarentena  (Foto: Reprodução)
Funcionário se recusou a fazer o corte de energia no período de quarentena (Foto: Reprodução)
Um funcionário terceirizado da distriuidora de energia elétrica do Ceará, a Enel, foi desligado de suas funções após se recusar a fazer cortes de energia na casa de clientes em Fortaleza em pleno período de quarentena, em razão da pandemia de coronavírus. "As pessoas nesse momento estão necessitando da energia, não achei justo", alegou Ramiro Roseno Sombra, 27 anos. 

O ex-funcionário denuncia que mais três colegas de profissão foram demitidos e outros 16 suspensos por um dia, na segunda-feira (23). Todos teriam se recusado a fazer os desligamentos que, segundo ele, eram por causa de débitos dos clientes com a empresa. 

"Recebi 52 cortes, eu e mais 19 motoqueiros, quatro foram demitidos, eu e mais três, e 16 foram suspensos por um dia porque todos eles reivindicaram que não iriam cortar cliente específico porque nesse momento, nesse período, não é cabível cliente ser cortado", disse. Segundo ele, depois de se negar a fazer o serviço, recebeu uma advertência e horas depois foi demitido.

Além dos problemas que causaria aos clientes com os cortes de energia neste período, o eletricista argumenta que o "serviço é arriscado": os profissionais temem reações violentas da população ao tentar fazer um corte de energia. 

"Tenho convicção do que falei, não corto e não irei cortar e não me arrependo. Eu escolhi essa profissão e tô há quase seis anos cumprindo ela porque tenho responsabilidade. Mas nesse momento que nós estamos vivendo não tô de acordo em fazer corte", sustentou Ramiro em vídeo divulgado em suas redes sociais logo após a advertência.

Ele conta que trabalhava na empresa há mais de um ano e sustentava as quatro filhas com a renda do trabalho como eletricista. "O que eles fizeram comigo foi bastante injusto", lamentou.

Segundo o G1 do Ceará, a Enel confirmou a demissão por meio de nota, mas disse que os contratos terceirizados são gerenciados pelas empresas parceiras e afirmou que o tipo de corte em questão é relativo aos casos em que o próprio cliente solicita o desligamento. Confira:

"A Enel Brasil esclarece que o serviço mencionado no vídeo refere-se a suspensão do fornecimento de energia por solicitação do próprio cliente, o que ocorre em casos de encerramento de contrato de aluguel ou mudança, por exemplo. Mesmo com o avanço do Coronavírus, a empresa não tem medido esforços para garantir a operação do serviço de distribuição e as solicitações dos clientes, em todos os estados em que atua.

A companhia informa ainda que as empresas parceiras gerenciam diretamente os contratos de trabalho com seus colaboradores, como contratação e desligamentos."
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