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PANDEMIA

Coronavírus: psicanalista usa música para acalmar vizinhos confinados

Publicado em: 30/03/2020 17:20

 (Foto: Elian Guimarães/EM)
Foto: Elian Guimarães/EM

Uma caixinha de som e uma música no corredor foi a ideia da psicanalista Renata Satller para alegrar o final de tarde de um domingo em isolamento social. A música foi a forma encontrada para chamar para a porta todos que estavam sós e, ao mesmo tempo, promover um encontro entre vizinhos que mal se veem no dia a dia. O propósito era tornar o melancólico crepúsculo dos domingos à tarde um momento de encontro e harmonia. A adesão foi imediata e o projeto vai se repetir todos os dias, rigorosamente das 17 às 17h30, até que termine o isolamento.

Renata é moradora do edifício JK, um dos maiores e mais antigos condomínios de Belo Horizonte, onde moram 5 mil pessoas, grande parte delas sozinhas e com grande contingente de idosos. “A música sempre esteve presente na minha vida. Meu pai era músico e minha família tinha momentos de “audição” em que sentávamos todos em torno do toca-discos e ele ia explicando cada acorde, a função dos instrumentos e a história da composição.

Tenho o hábito de, todos os domingos à tarde, ir ao cinema. Porém, diante do isolamento social, tenho ficado em casa. Atendo meus pacientes e alunos por vídeo e ouço muita música. As tardes de domingo me chamam especialmente a atenção. Pensei em 17h porque é um momento em que, normalmente, ‘cai a ficha’ do final de semana chegando ao fim, um tom melancólico. A maioria das pessoas do meu andar mora só e tive a ideia de fazer um convite para algo que não as incomodasse.”

Renata escreveu de próprio punho e colocou uma cartinha debaixo da porta de cada apartamento, teve o carinho de chamar um por um e perguntar se não haveria incômodo para os vizinhos.

“Escolhi música clássica de cinema, de um CD da Orquestra Ouro Preto, coloquei a caixinha na porta e, aos pouco, as pessoas foram saindo. Escolhi meia hora para que não se transformasse em uma festa ou ‘auê’ e para que nos víssemos e sentíssemos que, mesmo cada um em seu canto, estamos mais próximos que imaginamos”.

A tradutora argentina Julieta Sueldo Boedo, radicada em BH, disse que ficou comovia com a iniciativa da vizinha.  “Apesar de sermos 30 moradores no mesmo andar, quase nunca nos vemos ou interagimos. Foi um momento simples, tão lindo, de estarmos ali, juntos, compartilhando nossa presença na música naquele espaço de passagem (corredor). Mágico!"
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