Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Brasil

MEIO AMBIENTE

Mancha de óleo chega ao Sudeste e já afeta 10 Estados

Por: AE

Publicado em: 09/11/2019 12:12

 (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução
Dois meses e uma semana após começarem a ser identificadas nas praias do Nordeste brasileiro, as manchas de petróleo cru foram encontradas pela primeira vez no Sudeste do País, na quinta-feira. Segundo a força-tarefa do governo federal que acompanha a situação, "pequenos fragmentos de óleo" foram achados na praia de Guriri, em São Mateus, que é o segundo município do Espírito Santo após a fronteira com a Bahia. O primeiro é Conceição da Barra, onde até ontem não havia registro do óleo.

Segundo nota do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), composto pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), as amostras da substância foram encaminhadas para o Instituto de Estudos do Mar (IEAPM), que confirmou ser o óleo encontrado no Nordeste.

Com o registro em São Mateus, subiu para dez o número de Estados atingidos pelo poluente. No total, são 409 localidades afetadas. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicou, na semana passada, a possibilidade o poluente chegar até o Estado do Rio.

A causa do vazamento e a origem do poluente ainda são desconhecidas. A Polícia Federal apontou o navio grego Bouboulina como suspeito pelo derramamento. Mas a empresa Delta Tankers, dona da embarcação, nega envolvimento.

Um grupo com 75 fuzileiros navais da Marinha está em Conceição da Barra e São Mateus monitorando as praias desde terça-feira. E o governo capixaba, por meio da Secretaria da Saúde, criou o Comitê Operativo de Emergência (COE), responsável por organizar as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo, dividindo responsabilidades entre Estado e municípios.

Saúde

Segundo Gilson Almada, coordenador do COE, uma das medidas é orientar a população sobre os riscos à saúde de exposição aos resíduos. "Foi elaborada uma nota técnica orientando os profissionais de saúde sobre como atender as pessoas que tiverem contato com o óleo e também os cuidados de proteção individual que devem ser adotados por esses profissionais." De acordo com Almada, cerca de 400 profissionais foram capacitados pela Defesa Civil, Marinha e Exército para o recolhimento do óleo nas praias, caso necessário. Assim, diz ele, não será preciso a ajuda voluntária da população, evitando risco de intoxicação por inalação, contato com a pele ou ingestão.

Conforme o GAA, ontem havia vestígios de óleo e ações de limpeza em andamento em nove localidades do Nordeste e no Espírito Santo. De acordo com o Ibama, até hoje já foram retiradas das praias nordestinas aproximadamente 4,3 mil toneladas de resíduos de óleo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Sobre Vidas: Nivia e o empoderamento de mulheres no Coque
DP Auto na Tóquio Motor Show - Tudo sobre a Nissan
Sérum, pele natural, sombras coloridas e blush cremoso
Lula: sou um homem melhor do que aquele que entrou na cadeia

Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco