Pará Investigação do 'dia do fogo' tem dezenas de suspeitos e celular atirado ao rio

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 04/09/2019 20:47 Atualizado em:

Foto: Ascom/Semas
Foto: Ascom/Semas
Os últimos dois dias foram agitados em Novo Progresso, no Pará. Desde terça (3) de manhã, o entra e sai na delegacia local foi intenso. Passaram pela delegacia local figuras conhecidas como o comerciante Ricardo de Nadai, apontado como o fundador do grupo de WhatsApp "Sertão", que teria planejado as queimadas na região naquele que ficou conhecido como "dia do fogo".
A ação se deu em 10 de agosto. Áreas de mata e de terra desmatada foram incendiadas à beira da BR-163.
 
De Nadai negou as acusações. Cerca de 70 pessoas, entre comerciantes, madeireiros, pecuaristas e produtores rurais, formavam o grupo. Na terça (3) e na quarta (4), a delegacia de Novo Progresso ouviu vários integrantes do grupo, além de outros suspeitos, e colheu depoimentos. Os acusados têm evitado falar com a imprensa.
 
Depois que os interrogatórios forem encerrados, poderá ser dada uma ordem para busca e apreensão dos celulares dos suspeitos. O pedido deve partir da Polícia Federal, que também investiga o caso. Uma equipe da Polícia Federal formada por dois agentes, um delegado e um escrivão saiu de Brasília e chegou nesta terça-feira a Novo Progresso, cidade de 25 mil habitantes, em que há mais bois (500 mil) do que gente. "Se as pessoas citadas no inquérito para apurar o 'dia do fogo' se recusarem a ceder seus celulares para averiguação sobre o grupo de WhatsApp que teria planejado as queimadas, os aparelhos deverão ser apreendidos", diz Mario Sergio Nery, delegado-chefe da Polícia Federal em Altamira.
 
No último dia 26, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, convocou uma reunião de emergência, em Brasília, com procuradores e autoridades dos oito estados da Amazônia para discutir a formação de grupos para programar as queimadas e a possível causa dos incêndios, que se alastraram na região de Novo Progresso e outras áreas. Em Altamira, a cerca de 900 km de distância, também foram registrados grandes focos de incêndio. 
 
Corre na cidade o boato de que De Nadai e outros integrantes do grupo Sertão teriam jogado o celular no rio Jamanxim, que fica a 4 km do centro da cidade. 
A Polícia Federal e a polícia de Novo Progresso continuam as investigações, que não têm prazo para acabar. Caso fique comprovada a origem e autoria dos incêndios, os acusados poderão pegar de um a cinco anos de prisão, por incitação ao crime e crime ambiental. 
 
Para ajudar a apagar o fogo, o Exército instalou na segunda-feira (2) uma base em Novo Progresso, com mais de 200 militares. Uma boa parte deles têm formação de brigadista e atua no combate a incêndios.
Os esforços fazem parte de um trabalho conjunto realizado pela Polícia Federal, as Forças Armadas, o Ibama e a Força Nacional de Segurança para investigar as suspeitas a respeito de uma ação criminal orquestrada para colocar fogo na região. 

As queimadas aconteceram principalmente em áreas próximas a BR-163, em locais em que a mata já sido derrubada e em regiões de floresta, apesar de reportagem alertando para esse risco ter sido publicada no jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso, em 5 de agosto.  Especuladores imobiliários promovem desmatamentos em áreas devolutas, unidades de conservação ambiental e reservas indígenas, e agem em conluio com os cartórios locais para obter títulos falsos de propriedade e vender a terra. Pecuaristas também cortam as árvores e fazem queimadas para ter mais espaço para pasto. Alguns faziam parte do grupo que teria planejado as queimadas.
 
Segundo ofício enviado ao Ibama pelo Ministério Público Federal no dia 7 de agosto, o grupo Sertão, do WhatsApp, teria expressado que uma das suas intenções como o dia do fogo era "chamar a atenção das autoridades que na região o avanço da produção acontece em apoio ao governo".


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