terror Ceará completa uma semana de ataques com ação da PF e mais incêndio

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 26/09/2019 21:50 Atualizado em:

Ônibus incendiado na madrugada em Maranguape. Foto: reprodução (Foto: reprodução)
Ônibus incendiado na madrugada em Maranguape. Foto: reprodução
Sete dias depois do início da nova onda de ataques criminosos no Ceará, a Polícia Federal fez no estado nesta quinta-feira (26) uma operação, batizada de Torre, para tentar prender responsáveis por planejar as ações. Um homem foi preso, nove estão foragidos e seis alvos investigados a polícia detectou que já estavam presos. 

Nesta quinta, houve incêndio a um micro-ônibus, caminhões e carros da concessionária de energia. O estado chegou à marca de 82 ações criminosas em ao menos 16 cidades desde a última sexta (20). 

Do total de ataques até o momento, chama a atenção a ênfase em botar fogo em veículos. Já são 84 atacados desta forma, entre ônibus, caminhões, vans, carros de empresas concessionárias, veículos em pátios de concessionárias ou do Detran e motos. Não há registros de carros de passeio queimados.

Duas pessoas se feriram levemente nos ataques com fogo. Um dos menores de idade apreendidos pela polícia teve 70% de queimadura no corpo em Canindé, cidade a 120 km de Fortaleza – o governo cearense não informou o estado de saúde dele.

Entre os principais suspeitos envolvidos nos ataques, segundo a PF, está uma pessoa já presa, mas no estado de Pernambuco – há intenção de transferi-la para presídio federal.

Ele é considerado pela polícia um dos fundadores da GDE (Guardiões do Estado), facção criminosa cearense que é apontada como a responsável pelos ataques, e suspeito de coordenar da prisão ataques a três torres de telefonia no Ceará no começo de abril.

Desde sexta, ao todo, são 75 pessoas, entre adultos detidos e adolescentes apreendidos, pela polícia cearense. 

Por enquanto o governo estadual mantém posição de não pedir ao Ministério da Justiça a presença de agentes da Força Nacional de Segurança, como em janeiro, durante a primeira onda de mais de 280 ataques – 408 homens foram deslocados para o Ceará na ocasião.

O estado não descarta fazer o pedido caso note a necessidade mas, por enquanto, avalia que o governo federal pode ajudar cedendo vagas em presídios federais para lideranças da facção criminosa e com o envio de equipamentos.

Em fevereiro, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o governador Camilo Santana (PT) avaliou que a presença da Força Nacional funcionava mais como efeito psicológico na população do que efetivamente na prevenção de ataques, já que o número de homens enviados, comparado com o número de agentes de segurança no Ceará (29 mil), era pequeno.

Um dos estados mais procurados por turistas brasileiros, por enquanto não houve impacto na venda de pacotes ou cancelamentos em hotéis no Ceará segundo executivo do setor, mas caso os ataques se estendam como entre janeiro e fevereiro, por quase um mês na ocasião, pode afetar negociações futuras.

"Estou até em uma feira em São Paulo, visitei estandes das operadoras e não há impacto. Mas o que acontece é que os pacotes são vendidos com bastante antecedência e as pessoas dificilmente cancelam se já pagaram. Pode impactar algo mais para frente, os ataques de janeiro só foram sentidos em abril, quando houve uma queda. Agora poderia impactar no Carnaval, em fevereiro de 2020. Mas acredito que desta vez tudo passará rápido e não terá efeitos", disse Antônio Eliseu de Barros, presidente da ABIH-CE (Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis do Ceará).

Nesta quinta (26), ônibus continuaram sendo alvos de ataques, mas a frota esteve 100% nas ruas. O impacto já pôde ser sentido pela população, com menos filas em terminais e pontos. Policiais continuaram embarcados em ônibus de linhas consideradas mais perigosas.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.