Dados Desmate na Amazônia cresce 15% e confirma tendência, diz ONG

Por: FolhaPress - FolhaPress

Publicado em: 16/08/2019 22:41 Atualizado em:

Foto: Arquivo/Agência Brasil (Foto: Arquivo/Agência Brasil)
Foto: Arquivo/Agência Brasil
O SAD (Sistema de Alerta do Desmatamento), da ONG Imazon, reforça a tendência recente de aumento do desmate da Amazônia observada pelo Deter, sistema do Inpe adotado oficialmente para fins de fiscalização.

Apesar de o projeto independente ter enxergado uma devastação menor – 5.054 km² contra os 6.833 km² do Inpe – ambos indicaram aumento, de 15% e 50%, respectivamente. O estudo é feito com base em imagens de satélites.

Segundo Carlos Souza Jr., que coordena o SAD, apesar de os dois sistemas terem diferenças metodológicas, é possível traçar um paralelo e afirmar que os mecanismos se confirmam. "Historicamente a gente no SAD sempre detectou menos alertas que o Deter", afirmou. "O Deter tem uma metodologia um pouco mais detalhada que o SAD, porque olha para a floresta continuamente ao longo do mês, enquanto o SAD olha uma vez no início e outra no fim do mês."

Claudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Inpe, que engloba o Deter, afirma que apesar das diferenças do Deter para o SAD, "as tendências estão convergindo" em direção a uma alta no desmatamento.

Uma preocupação gerada por ambos é que o número obtido para este ano é bastante alto, considerando que os sistemas de alerta de desmatamento não cobrem toda a área devastada. A finalidade de ambos é gerar imagens rápidas para auxiliar fiscais, e as regiões cobertas por nuvens acabam escapando dos satélites naquele momento.

O sistema responsável por medir o desmatamento anual com precisão, o Prodes, também do Inpe, combina imagens obtidas em diferentes momentos para alcançar uma cobertura maior, mas só é divulgado depois de setembro.

"Mas os dados acumulados pelo SAD no ano são preocupantes demais", diz Souza Jr. "Isso mostra uma probabilidade alta de o Prodes fechar com o aumento." No ano-calendário passado, foram confirmados 7.536 km² de desmate, pelo Prodes. Almeida diz que o Deter não pode ser considerado um substituto para o Prodes, mas destaca que ele tem sido um bom indicativo.

Nos únicos dois anos em que as tendências não coincidiram o desmatamento era baixo, a variação era menor e, dentro da margem de erro, era mais difícil enxergar se o desmatamento aumentou ou diminuiu, diz Almeida.

No mês de julho, o Imazon apontou um aumento de 66% em relação a julho do ano passado, enquanto o Inpe apontou um aumento de 278% nos alertas de desmate. Apesar da disparidade maior (que é normal em dados mensais), ambos os sistemas apontam variações grandes.

Outro dado preocupante observado pelo SAD é um deslocamento dos pontos tradicionais de corte raso da mata, geralmente concentrados no chamado "arco do desmatamento", que vai do norte do Mato Grosso ao leste do Pará.

A maior parte das manchas de devastação vistas pelo SAD está no Pará, mas muitas delas no oeste. E o desmatamento na região de Lábrea e Humaitá, no sudeste do Amazonas, está se intensificando. "É como se fosse um descolamento do arco", diz Souza Jr.

Os dados pelo Imazon saem um mês após o embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o Inpe, que culminou na exoneração de seu diretor, Ricardo Galvão. Bolsonaro disse à época que os dados do Inpe indicando grande aumento na taxa de desmate não era verdadeiro e que Galvão deveria estar a "serviço de alguma ONG." Souza Jr., que está efetivamente, a serviço de uma ONG, afirma que é preciso olhar objetivamente para os dados gerados antes de criticar quem os gerou.

"Nós submetemos nossos dados a publicações internacionais. Os dados que a gente gera de forma independente até ajudam a aferir os dados que o governo está reportando. Em alguns momentos a gente teve discordância, mas quando existe transparência na divulgação dos dados, é possível confrontá-los e entender as diferenças, sem embate ideológico."

Claudio Almeida afirma que o projeto do Imazon cumpre um papel importante e o considera transparente."É bom que existam outros dados de monitoramento do desmate para que não exista um dado único, porque quando há disparidades grandes, é possível perceber se algum projeto está com algum problema", diz.


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