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Fortes chuvas

Governo da Bahia confirma rompimento da Barragem do Quati

Publicado em: 12/07/2019 19:54

Foto: Secom/GOVBA
O governo da Bahia confirmou na manhã desta sexta-feira, 12, o rompimento da Barragem do Quati, em Pedro Alexandre. Técnicos da Defesa Civil do Estado e do Corpo de Bombeiros constataram que após o transbordamento inicial, com rachadura nas laterais, a pressão da água provocou o rompimento parcial da estrutura. 

"Uma nova vistoria será realizada, na tarde de hoje, para verificar a extensão dos danos e a situação de barragens vizinhas ao Quati", informou, em nota, a gestão estadual.

A correnteza provocada pelas fortes chuvas desta quinta-feira, 11, alagou Pedro Alexandre e a cidade vizinha de Coronel João Sá e atingiu ao menos 157 imóveis. Cerca de 500 pessoas tiveram que deixar suas casas na região.

A barragem fica a 440 quilômetros de Salvador, perto da divisa da Bahia com Sergipe.

Conforme a Defesa Civil, sete casas nos povoados de Quati e Boa Sorte ficaram inundadas pela quantidade de água e lama. A área mais atingida, porém, foi uma parte da cidade vizinha, Coronel João Sá, onde pelo menos 150 imóveis foram atingidos. A cidade decretou situação de emergência e deslocou cerca de 500 moradores para cinco escolas municipais.

Segundo a prefeitura de Coronel João Sá, uma idosa que mora em uma das ruas alagadas quase se afogou, mas os bombeiros conseguiram resgatá-la a tempo. 

A água ainda bloqueou a Rodovia BR-235, na altura do km 25, trecho que liga Jeremoabo, na Bahia, a Carira, em Sergipe. 

Responsabilidade

Segundo o governo da Bahia, a barragem foi construída pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, vinculada ao Estado, e entregue em novembro de 2000 à Associação de Moradores da Comunidade de Quati. É uma estrutura pequena, com menos de 200 hectares, e não chega a ser classificada dentro da Lei Nacional de Barragens. 

O governo estadual disse, ainda, que a responsabilidade sobre a barragem é do município, uma vez que foi entregue à comunidade. O jornal O Estado de S. Paulo não conseguiu contato com a prefeitura de Pedro Alexandre. 

A Agência Nacional de Águas (ANA) afirmou que a barragem não consta do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (Snisb) e que, portanto, não tem informação sobre risco ou dano potencial da sua estrutura. Por se tratar de uma barragem em rio estadual, segundo o órgão, a fiscalização desse açude não compete à ANA, e sim à autoridade competente na Bahia.

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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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