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Mulher que acusa Neymar de estupro e agressão faz primeira declaração pública

Publicado em: 05/06/2019 20:35 | Atualizado em: 07/06/2019 23:02

Foto: Reprodução/SBT (Foto: Reprodução/SBT)
Foto: Reprodução/SBT (Foto: Reprodução/SBT)
A modelo Najila Trindade, mulher que acusou o atacante Neymar de abuso sexual, reafirmou nesta quarta-feira (5) ter sido vítima de agressão e de estupro no quarto do hotel em que esteve com o jogador, em Paris. "Eu fui vítima de estupro. Agressão juntamente com estupro", disse, em entrevista ao SBT.

No início da entrevista, a modelo falou um pouco de si mesma: "Uma pessoa comum, que trabalha e estuda. Sou modelo, estudante de Design de Interiores, que gosta de esportes, que treina, dança. Sou filha, mãe, uma pessoa comum". Depois contou a história polêmica sobre seu relacionamento com Neymar.

"Conheci o Neymar através das redes sociais, do Instagram. Depois de um tempo, ele mandou o whatsapp e eu passei." disse Najila. A modelo também enfatizou que o seu intuito era ter uma relação sexual - o que deixou bem claro -  com o craque e que ele pagou a passagem e a hospedagem do hotel porque ela não tinha condições financeiras de ir para Paris.

Najila descreve a cena que sucede a troca de mensagens em que o Neymar fala que passaria no quarto dela no hotel antes da festa: "Eu tinha o desejo de ficar com o Neymar. E quando eu chego lá, tava tudo bem. Tava tudo legal, as mensagens. Eu ia conseguir. Só que quando eu cheguei lá ele estava agressivo. Totalmente diferente daquele cara que eu conheci nas mensagens. Até aí tudo bem. Como eu tinha muita vontade de ficar com ele. Eu falei 'Ok, vou tentar manejar aqui'. E a gente trocou carícias, começou a ficar e a se beijar. Até aí tudo bem. Só que depois ele começou a me bater. No começo tudo bem, mas depois começou a me machucar muito. Então eu falei 'Para, está doendo'. E ele falou 'desculpa linda'. Continuamos, deitados na cama, rolando e tal. Eu falei 'você trouxe preservativo? Porque eu não tenho', e ele disse 'não'. Eu falei 'então não vai acontecer nada além disso', porque não podemos."

"Ele não respondeu nada e aí gente continuou. Ele me virou, cometeu o ato e eu pedi para ele parar. Enquanto ele cometia o ato ele continuava batendo na minha bunda violentamente. Depois eu girei e me retirei. Foi tudo muito rápido", continuou a modelo. Quando questionada pelo entrevistador sobre os fatos, ela reafirma: "A partir do momento em que ele se tornou agressivo. A partir do momento em que eu perguntei para ele se ele tinha levado preservativo e ele falou que não. E eu falei para ele 'então não podemos, então só vamos trocar carícias, só vamos continuar aqui'. E ele concordou com o silêncio. Eu entendi como concordância. E quando ele virou já foi cometendo logo o ato. Então para mim ele tinha entendido que não poderíamos ir além daquilo que estávamos fazendo. A partir do momento que ele me segurou violentamente, me batendo, ele estava obrigando a ficar ali naquele lugar”.

"Depois quando eu sai da cama. Quando eu me levantei e fui pro banheiro eu não acreditei. Foi tipo uma decepção. E eu fiquei estarrecida. Então assim. Eu não consegui falar nada para ele. Não consegui xingar, não conseguir chorar. Não consegui falar nada. Fiquei em estado de choque", relatou sua reação. "Porque primeiro eu tive que assimilar tudo. Todo o acontecimento. E quando ele saiu do quarto e eu comecei a entender tudo o que tinha acontecido comigo e como ele foi estúpido e como ele foi ruim. Como ele me violou e me violentou, eu quis fazer justiça. Porque eu não acho que só porque eu estava afim de ficar com ele, ele tinha o direito de ficar assim comigo”.

A modelo explicou sua postura antes da primeira aparição pública:  "Então no primeiro momento eu não conseguir reagir devido aos traumas. E depois eu sabia que se eu não falasse com ele normalmente, fingindo que eu não tinha entendido o que aconteceu ele não iria mais falar comigo. Eu não teria mais como provar que aconteceu isso".

Quando questionada sobre um possível pedido de extorsão do seu advogado ao pai do craque, Nájila falou que começou a desconfiar disso “no momento em que ele [o advogado] não deixava eu dar queixa”. E destacou: “Inclusive, quando eu tomei essa decisão ele decidiu abandonar o caso. Ele [o advogado] falou que iria fazer uma reunião com os advogados dele [Neymar] para explicar o que estava acontecendo. Eu quero que ele pague pelo que ele fez".

O entrevistador perguntou se Najila tinha consciência do que essa história significa para Neymar. Sem muita demora, a modelo afirmou: "Eu tenho consciência do que o aconteceu representa para mim. Uma questão de honra, entendeu. Ele não precisava ter feito aquilo comigo. Não precisava. Eu já estava ali para aquilo. Era um desejo meu. Eu sou livre e desimpedida, nós iriamos ficar, eu ia voltar para casa e tá tudo certo".

Então, o entrevistador questionou a modelo sobre uma dívida de 26.000 e recebeu como resposta: "Ação de despejo eu não estava sofrendo até o meu nome vir a público. Eu tinha sim um acordo a fazer. Eu deixei acumular. Era a minha única dívida e do colégio que eu estava estudando que por motivos pessoais eu tranquei. Eu acho que teria uma forma mais fácil e mais rápida que todo esse 'auê', todo esse escândalo. E até o Neymar pra poder conseguir dinheiro tem muitos trabalhos para fazer".

"Eu não iria me expor dessa forma. Não tem lógica. Não tem sentido. Para arrancar o dinheiro do Neymar. Desculpa, eu não preciso disso", enfatizou Najila.

A modelo, que considera que sofreu agressão e estupro, também contou como foram as conversas com seu advogado. “Primeiro que ele [o advogado] não estava acreditando totalmente em mim e eu senti um preconceito da parte dele. Ele disse para mim ‘Você vai ter que cortar a unha, a gente vai ter que levar isso para frente’, deu a entender que ele quis dizer que eu não tinha sido estuprada, que eu tinha dado porque quis. Eu acho que ele só acreditou em mim quando ele viu a foto que o próprio Neymar mandou para mim”.

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