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Entrevista

Futuro da Escola e a Escola do Futuro

Publicado em: 03/06/2019 19:00

Foto: Reprodução/Facebook
O professor José Manuel Moran é Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo, professor de Novas Tecnologias na USP (aposentado) e um dos fundadores da Escola do Futuro. Dá palestras e workshops sobre metodologias ativas, modelos híbridos e tendências na educação. É autor do livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá, do blog Educação Transformadora e coautor dos livros Metodologias Ativas para uma Educação Inovadora , Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica e Educação a Distância: Pontos e Contrapontos.
 
Qual o papel do gestor e do professor para que o aluno esteja preparado para a revolução 4.0?
O papel do gestor e do professor é de liderar o processo de transformação das escolas para que se tornem espaços vivos de aprendizagem criativa, inovadora e relevante para todos, principalmente para os mais pobres. Escolas inovadoras dependem de gestores e docentes muito bem preparados intelectual, emocional e eticamente e que possuam um repertório amplo de estratégias para que os estudantes se engajem em desafios e abertura para planejar e trabalhar colaborativamente com outros docentes colegas em projetos relevantes. O papel mais importante dos professores e gestores é apoiar e convencer os alunos de que podem evoluir em tudo, desenvolver autonomia crescente, transformando suas vidas pela aprendizagem, esforço e perseverança, mesmo os que vivem em condições precárias. Para isso os docentes e gestores precisam desenvolver essa mesma mentalidade empreendedora e criativa neles mesmos, também. As concepções pedagógicas de um ensino inovador para crianças e jovens podem ser sintetizadas nos quatro Ps da Aprendizagem Criativa de Mitchel Resnick do IMT: Aprendizagem baseada em Projetos, Aprendizagem com Propósito (sentido profundo), Aprendizagem entre estudantes (Pares, Pier) e Aprendizagem lúdica (Play, aprendizagem através de jogos e recursos lúdicos - gamificação). Esses componentes se combinam e concretizam de formas diferentes em cada etapa formativa, mantendo as características essenciais. O currículo inovador combina a ênfase na personalização (cada estudante percorre e constrói “seu” caminho pedagógico, num movimento dialético entre planejamento institucional e escolhas individualizadas, com orientação de docentes/mentores), na colaboração (atividades presenciais e online de aprendizagem em grupo) e nas diversas formas de mentoria (projeto de vida, tutoria nos projetos e nos processos de avaliação). Mentoria é um processo organizado de orientação individual e grupal do projeto de vida do aluno, do seu desenvolvimento profissional e da integração dos saberes. As instituições educacionais interessantes combinam o melhor da personalização, do compartilhamento e da tutoria. Cada estudante, em cada fase da vida, avança na autonomia (personalização) na aprendizagem grupal, colaborativa, compartilhada com tutoria (mediação, mentoria) de pessoas mais experientes em diversas áreas do conhecimento.

Como a internet e as linguagens multimídias podem auxiliar os educadores no processo da construção do conhecimento?
As tecnologias vêm transformando nosso mundo de forma cada vez mais acelerada e profunda. Nos encontramos hoje no que muitos denominam a quarta revolução industrial, onde se diluem os limites entre o mundo físico (impressão 3D, robótica avançada), o digital (internet das coisas, plataformas digitais) e o biológico (tecnologia digital aplicada à genética). Ao mesmo tempo vivemos num país extremamente desigual, em que a maioria tem formação básica deficiente para poder ter condições de aprender de verdade, de evoluir pessoal e profissionalmente, de ter um futuro diferente. Vivemos em mundos híbridos, onde tudo se mistura, de formas inimagináveis anos atrás. Crianças e jovens já nasceram nesse novo mundo, o consideram natural e não entendem por que a Escola ainda resiste tanto a integrar-se mais abertamente a esse novo mundo. Estamos superando a visão só negativa de proibir o acesso às tecnologias digitais, de ficar só na defensiva e avançamos lentamente nas formas de compartilhamento, na incorporação de plataformas mais inteligentes, de aplicativos para gerenciar todos os atores e processos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Mas a  convergência digital exige mudanças muito mais profundas que afetam a escola em todas as suas dimensões: infraestrutura, projeto pedagógico, formação docente, mobilidade, avaliação.  O que faz a diferença não são os aplicativos, mas estarem nas mãos de educadores, gestores (e estudantes) com uma mente aberta e criativa, capaz de encantar, de fazer sonhar, de inspirar. Professores interessantes desenham atividades interessantes, gravam vídeos atraentes. Professores afetivos conseguem comunicar-se de forma acolhedora com seus estudantes através de qualquer aplicativo, plataforma ou rede social.  E são um espaço muito útil para os professores encontrarem inspirações.
 
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