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Dever cumprido: bombeiros de Minas voltam de Moçambique e ganham homenagem

Publicado em: 10/06/2019 09:03

O segundo time de bombeiros especialistas em operações de busca, salvamento e gestão do desastre permaneceu por 30 dias. Foto: Jair Amaral/EM/D.A Press
A primeira missão internacional de bombeiros militares brasileiros foi concluída com êxito. Após 30 dias de trabalho, a segunda equipe com os mineiros que foram para Moçambique em ajuda humanitária retornou ao Brasil nesse sábado. Os cinco militares foram recepcionados com homenagem marcada pelos sentimentos de gratidão e orgulho do empenho na operação no país devastado pelos ciclones Idai e Kenneth, que atingiram o continente africano matando mais de mil pessoas.

Em abril, a primeira equipe, composta por 20 militares, ficou 40 dias no país. O segundo time de bombeiros especialistas em operações de busca, salvamento e gestão do desastre permaneceu por 30 dias. A experiência do Corpo de Bombeiros de Minas em catástrofes, como em Mariana e Brumadinho, foi o que capacitou os militares e fez com que eles se destacassem na missão. 

Durante a cerimônia, os cinco militares receberam diplomas e medalhas pelos trabalhos, que foram desde a desobstrução de estradas até a busca e salvamento de vítimas. A entrega foi realizada pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), coronel Edgard Estevo da Silva, e o chefe do Estado-Maior da corporação, coronel Erlon do Nascimento Botelho Wender. Os militares da primeira equipe da Operação Moçambique também esteve na solenidade, momento que aproveitaram para trocar experiências. 

O capitão Josias Soares, que comandou a segunda equipe, voltou com certeza da importância da missão para além de Moçambique. “Acredito que o Brasil, a partir deste momento, vai ver a missão humanitária de maneira diferente.” 

Crescemos muito, aprendemos bastante”, disse. Após 16 anos de carreira militar, Josias ficou aliviado em ter mais uma sensação de dever cumprido. “O povo de Moçambique nos ensinou o significado da palavra resiliência. Poder contribuir com uma população tão sofrida, devastada e carente de ajuda foi o mais importante dessa missão”, afirmou Josias. Após a cerimônia, os militares foram recepcionados pelas famílias. O sargento Thales Leite foi recebido pela filha, de 8 meses de idade, a esposa, Jessica Prates, de 32 anos, e a mãe, Marilda Leite, de 62, que se apegou à fé para diminuir a preocupação com o filho. “Estou dando graças a Deus, pois Ele esteve à frente o tempo todo. Agora é só alívio e orgulho”, celebrou.

O sargento Leite contou, emocionado, que a corporação levou alimento para uma aldeia que estava havia 15 dias sem abastecimento, se alimentando de caramujos. A população os recebeu “como se fosse uma bênção”, contou.Thales está há nove anos no Corpo de Bombeiros, e, para ele, o aprendizado ultrapassou a experiência profissional. “Foi uma lição de vida, porque apesar das dificuldades, era um povo feliz. Tivemos um choque de realidade”, disse. A equipe vai ter 10 dias para matar a saudade de casa.

A passagem do Ciclone Idai, em março, matou mil pessoas e deixou centenas de milhares desabrigadas. O Kenneth ocorreu em abril, quando a primeira equipe de bombeiros já estava no país. Ao menos 38 pessoas morreram.
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