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Polícia mira milícia de Orlando Curicica; PM ligado ao caso Marielle foi preso

Publicado em: 31/05/2019 11:10 | Atualizado em: 31/05/2019 11:37

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha. Foto: Reprodução


A Polícia Civil do Rio cumpriu nesta sexta-feira (31) mandados contra 21 suspeitos de integrarem a milícia de Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando Curicica. Oito pessoas suspeitas de integrar a milícia que era comandada por ele foram presas. Entre eles, está o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha, detido em Pedra de Guaratiba.

Ferreirinha é suspeito de prestar um falso testemunho com objetivo de obstruir a investigação do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Segundo a Polícia Civil, a ação desta sexta é referente a dois inquéritos, sendo que um deles teve origem nas investigações do duplo assassinato.

A Justiça Estadual do Rio expediu mandado de prisão contra o policial militar no âmbito da Operação "Entourage", realizada pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) em conjunto com a Polícia Civil. Curicica está preso desde 2017.

Até 9h30, já haviam sido cumpridos 15 mandados de prisão.

A advogada Camila Nogueira afirmou à reportagem que vai apresentar Ferreirinha a agentes da DH (Delegacia de Homicídios da Capital); o local não foi informado. A Polícia Civil esteve na casa da advogada, na zona sul da capital fluminense, procurando pelo PM.

Entre os presos, está Eduardo Almeida Nunes de Siqueira, 38. Ele clona veículos roubados e os repassa adiante. Siqueira é suspeito de ter clonado o carro usado nas execuções de Marielle e Anderson.

Também foram detidos o PM Ricardo Bezerra dos Santos, Ricardinho, lotado no 3º BPM (Méier), apontado como chefe do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes; o PM Leandro Marques da Silva, Mingau, lotado no 14º BPM (Bangu), homem de confiança de Orlando e considerado número dois da milícia; Rafael Carvalho Guimarães, Rafael da Merck, clonador de veículos; Fábio Conceição da Silva, Tibinha, que atua na Boiúna e se reporta diretamente a Orlando; Elton Pereira da Costa, Peppa, que atua no contrabando de cigarro; e Sandro Alves Martins, Sandro Negão, outro clonador de veículos.

POLICIAIS E BOMBEIROS
A Promotoria também aponta que o grupo de Curicica "conta com a colaboração de funcionários públicos, mais especificamente policiais e bombeiros militares da ativa, que se aproveitam desta condição para práticas criminosas".

Outros suspeitos de integrarem a milícia também são alvos de mandados de prisão. Além de Ferreirinha, outros três PMs e um bombeiro estão na mira da polícia.

A Justiça ainda expediu mandados de busca e apreensão que são cumpridos em batalhões da PM e do Corpo de Bombeiros, e em celas de presídios onde alguns dos suspeitos estão detidos.

A milícia de Orlando Curicica atua com extrema violência, cometendo execução de testemunhas e tentativas de homicídio de autoridades responsáveis pelas investigações, diz a Polícia Civil. "Os membros dessa quadrilha fazem imperar a 'lei do silêncio' entre os moradores da localidade em que exercem o controle criminoso".

Os investigadores dizem ter comprovado "que a organização criminosa conta com grande poderio armado, aterrorizando e impondo uma rotina de intimidação a moradores e eventuais testemunhas".

MONOPÓLIO
Segundo a Polícia Civil, "a atividade dessa milícia visa a criar monopólio das atividades econômicas de forma clandestina da área para subjugar a população local, valendo-se de atividades ilícitas".

Entre os crimes cometidos pelos investigados, de acordo com a Promotoria, estão extorsão a moradores, comerciantes e prestadores de serviços, em troca da oferta de segurança em Jacarepaguá e no Recreio dos Bandeirantes; invasões de imóveis para futuras revendas; grilagem de terras; falsidade documental; comercialização de sinais clandestinos de internet, televisão a cabo e do comércio de gás e água; venda de munições e armas de fogo, cigarros falsificados, contrabando, clonagem e receptação de veículos; e corrupção.

Foto: Reprodução/Internet


CASO MARIELLE
Ferreirinha foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal no último dia 21 de fevereiro dentro da investigação sobre a obstrução do caso Marielle. Em seu relatório final, a PF concluiu que o PM foi uma testemunha plantada com o objetivo de impedir o esclarecimento do duplo assassinato.

Em seu depoimento, Ferrerinha apontou o vereador Marcello Sicilliano (PHS-RJ) e Curicica como mandantes do assassinato da vereadora filiada ao PSOL. Ele afirma ter testemunhado reuniões em que ambos planejaram o atentado. Marielle Franco estaria atrapalhando negócios ilegais de Sicilliano. Após a divulgação do depoimento do policial, Curicica e Siciliano negaram a autoria do crime.

Depois de incriminar Curirica, o PM obteve o controle do serviço ilegal de TV a cabo prestado pela milícia ao conjunto habitacional Merck. Aliado a Ferreirinha, o ex-policial civil Jorge Luiz Fernandes, o Jorginho, passou a controlar a região de Curicica, onde explora um esquema ilegal de máquinas caça-níqueis, segundo a Polícia Federal.

Curicica, que estava preso no Rio, foi transferido para o presídio federal de Mossoró (RN). Lá, prestou depoimento ao Ministério Público Federal no qual afirmou que a Polícia Civil do Rio tentou lhe convencer a assumir a morte de Marielle e revelou um suposto esquema de corrupção na Delegacia de Homicídios que barraria investigações sobre homicídios ligados ao jogo do bicho e às milícias.

O depoimento de Curicica foi estopim para que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinasse que a entrada da PF no caso.

Em contatos com a reportagem durante o mês de abril, a advogada de Ferreirinha, Camila Nogueira, afirmou que seu cliente disse a verdade. Os dois foram indiciados pela PF por obstrução à Justiça.
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