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Jovem com Síndrome de Down faz campanha para ajudar pessoas com câncer
Kaique quer vender lacres de latinhas e comprar perucas para doação. Rapaz começou campanha após sua tia ficar doente e perder os cabelos
Publicado: 19/01/2017 às 09:00
Kaique começou a campanha após perder um amigo que também tinha Síndrome de Down e uma tia ficar sem cabelos por câncer. Foto: Arquivo pessoal/Kaique começou a campanha após perder um amigo que também tinha Síndrome de Down e uma tia ficar sem cabelos por câncer. Foto: Arquivo pessoal

O rapaz da foto acima se chama Kaique José, tem 22 anos e mora com a mãe em Belo Horizonte, Minas Gerais. Poderia ser mais uma história de superação de uma pessoa com Síndrome de Down, mas ele foi além.
O jovem é idealizador de uma campanha que começou pequena, a partir de esforços limitados, mas que, com a ajuda da internet, tomou novas proporções: Kaique junta lacres de latinhas de refrigerante e cerveja em garrafas pet para vendê-las e comprar perucas, que serão doadas a um hospital que trata câncer na capital mineira.
A reportagem do Diario de Pernambuco conversou com a irmã de Kaique, a enfermeira Lays Leão, para conhecer mais sobre a história dele e de sua iniciativa.
O começo
"Kaique tinha um amigo, o Bryan, que vivia em cadeira de rodas e também tinha Síndrome de Down. A ideia de meu irmão surgiu quando ele ficou sabendo que era possível vender garrafas pet cheias de lacres de latinhas. Com o dinheiro, ele pretendia ajudar o amigo", conta Lays.
Infelizmente, a ajuda não foi possível. "O amigo acabou falecendo, uns três anos atrás, e Kaique ficou sem saber o que fazer com os lacres", lembra.
Durante a conversa com a reportagem do Diario, Lays enviou um áudio com a voz de Kaique. Com algumas limitações na fala, ele explica os motivos de ter começado a campanha. "Ô, Lays, eu fico com dó das pessoas que têm câncer. [...] Por isso, quero juntar as tampinhas e comprar os cabelos para as pessoas que têm câncer. [...] Também fiquei com dó da minha tia Adelaide. Aí estou fazendo essa campanha para doar o cabelo, tá? Fica com Deus, tchau".
Infelizmente, a ajuda não foi possível. "O amigo acabou falecendo, uns três anos atrás, e Kaique ficou sem saber o que fazer com os lacres", lembra.
Durante a conversa com a reportagem do Diario, Lays enviou um áudio com a voz de Kaique. Com algumas limitações na fala, ele explica os motivos de ter começado a campanha. "Ô, Lays, eu fico com dó das pessoas que têm câncer. [...] Por isso, quero juntar as tampinhas e comprar os cabelos para as pessoas que têm câncer. [...] Também fiquei com dó da minha tia Adelaide. Aí estou fazendo essa campanha para doar o cabelo, tá? Fica com Deus, tchau".
"Aí ele continuou juntando, mas tinha parado de pedir ajuda às pessoas, ficou só ele juntando. Ano passado, uma tia nossa teve câncer. Kaique ficou sensibilizado, porque a tia sempre teve cabelo comprido e precisou raspar a cabeça. No final do ano, ele conversou comigo, dizendo que queria que eu divulgasse na internet que ele estava juntando as pets para trocar por perucas e doar ao hospital oncológico", lembra a irmã.
Retorno e obstáculos
"Foi então que eu fiz o post no Facebook, explicando a campanha, mostrando fotos dele com os lacres. Começamos a receber manifestações de todo lugar, Minas, Rio, São Paulo, Bahia... Tá bem bacana mesmo", explica a enfermeira.
A luta é dura. Lays conta que cada garrafa pet de dois litros cheia de lacres vale de R$ 2,50 a R$ 3. A peruca mais barata que encontraram custa R$ 250.

"A gente foi pesquisar e não encontrou onde doar. Em Belo Horizonte, tem uns lugares em que é possível trocar pets por uma cadeira de rodas, por exemplo, mas para perucas não sabemos onde tem esse tipo de serviço. Alguns hospitais nos informaram que a gente poderia pegar o dinheiro das pets e dar a eles, que comprariam as perucas. Mas Kaique não queria isso, ele quer entregar pessoalmente", conta Lays.
A luta é dura. Lays conta que cada garrafa pet de dois litros cheia de lacres vale de R$ 2,50 a R$ 3. A peruca mais barata que encontraram custa R$ 250.

"A gente foi pesquisar e não encontrou onde doar. Em Belo Horizonte, tem uns lugares em que é possível trocar pets por uma cadeira de rodas, por exemplo, mas para perucas não sabemos onde tem esse tipo de serviço. Alguns hospitais nos informaram que a gente poderia pegar o dinheiro das pets e dar a eles, que comprariam as perucas. Mas Kaique não queria isso, ele quer entregar pessoalmente", conta Lays.
Sucesso virtual
A publicação atingiu mais 8 mil likes e 3 mil compartilhamentos no Facebook. "As pessoas têm vindo à minha casa trazer garrafas cheias. Tá muito lindo. Tem uma pessoa que vai doar 20 garrafas pet", relata.
"Estamos guardando todas as garrafas no porão da casa da minha vó e, quando chegarmos a um número bom, vamos vender e comprar as perucas", diz a irmã mais velha.
Apoio
Até agora, as ajudas têm vindo de quem foi alcançado pelo post na rede social. "Não, por enquanto nenhuma empresa se prestou a ajudar ainda. Só a ajuda das pessoas mesmo que estamos tendo. Duas pessoas, inclusive, além das garrafas, doaram cabelo também. Uma outra se dispôs a manufaturar perucas para a campanha. Mas empresa mesmo, ainda não". Fica aí o apelo da família.
Como colaborar
Para ajudar na campanha de doação de lacres de latinhas, basta entrar em contato com a família de Kaíque:
Maria Aparecida Reis (mãe)
Telefone: (31) 99667.8419
Endereço: Rua José dos Santos Lage, nº 177
Bairro: Teixeira Dias, distrito do Barreiro.
Belo Horizonte, Minas Gerais.
Como colaborar
Para ajudar na campanha de doação de lacres de latinhas, basta entrar em contato com a família de Kaíque:
Maria Aparecida Reis (mãe)
Telefone: (31) 99667.8419
Endereço: Rua José dos Santos Lage, nº 177
Bairro: Teixeira Dias, distrito do Barreiro.
Belo Horizonte, Minas Gerais.
CEP: 30644-220
Lays Leão (irmã)
Telefone: (31) 99658.0420
Lays Leão (irmã)
Telefone: (31) 99658.0420
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