Há 49 anos: Sport vence a batalha dos 158 minutos
O Campeonato Pernambucano de 1977 parecia interminável, com vários jogos extras e o último deles com uma duração nunca antes vista; deu Sport após 158 minutos
Uma final que parecia não ter fim, com os jogadores desabando de cansaço e o cronômetro do árbitro acumulando 158 minutos de disputa. Até que Mauro, juntando o que ainda restava das suas forças, acerta um chute e faz o gol. O meia-atacante nem comemora, desmaia.
Há 49 anos, o Sport conquistava o título do Campeonato Pernambucano em cima do Náutico, na mais extensa decisão que a competição já conheceu, iniciada às 21h15 da sexta-feira, 14 de outubro, e encerrada aos 15 primeiros minutos do sábado.
O campeonato
O Campeonato Pernambucano de 1977 teve três turnos. O Sport ganhou os dois primeiros disputando diretamente com o Santa Cruz.
O Náutico só acordou no terceiro, com uma campanha idêntica à do Leão: 15 pontos, em dez jogos, com seis vitórias, três empates e uma derrota cada (lembrando que, na época, a vitória valia dois pontos apenas).
A igualdade no turno levou a decisão para uma partida extra. Os poucos mais de 28 mil torcedores que foram à Ilha do Retiro viram o centroavante Campos marcar no primeiro minuto do segundo tempo, dando a vitória ao Timbu.
Um novo jogo foi agendado, desta vez para o Arruda. Com dois turnos contra um do Náutico, o Sport precisaria apenas de um empate para comemorar o título.
Mas o meio-campista Didi Duarte fez aos 23 do segundo tempo e colocou o Alvirrubro em pé de igual para uma série decisiva ‘melhor de quatro pontos”. Ou seja, o Clássico dos Clássicos seria repetido até que um dos times atingisse os quatro pontos.
No primeiro deles, o Rubro-negro reagiu. Darci e Totonho, um em cada tempo, marcaram os gols do 2 a 0, na Ilha do Retiro. Uma nova vitória, no Arruda, liquidaria o campeonato. Mas deu empate em 0 a 0.
E aí chegou a terceira partida, a que pareceu não ter fim, no dia 14 de outubro de 1977. O Diario de Pernambuco trouxe na capa da edição do 15 a manchete “Esporte garante título com 158 minutos de jogo”.
No Arruda, mais uma vez, o Sport voltava a precisar de um empate para chegar aos quatro pontos da série e levantar, enfim, a taça. Mas Drailton, de pênalti, colocou o Náutico na frente.
“Foi aí, então, que começou o drama. O Náutico no recuo natural, procurando garantir-se, e o Esporte, a todo custo, mas desordenadamente, indo em frente. Mas tudo em vão. Parece que estava escrito que durante os 90 minutos a vitória teria que ser dos “timbus””, descreveu a matéria do DP.
Os alvirrubros chegavam aos três pontos na série, igualando-se aos rubro-negros. O campeão só seria conhecido após a prorrogação e ninguém poderia imaginar quantas seriam necessárias.
“Veio a prorrogação e, nos 30 minutos normais, empate sem gols. Primeira prorrogação de 15 minutos, nada de gols. Mais 15, e o placar sem ser movimentado. Na quarta prorrogação, aos 158 minutos de futebol corrido, eis que, num lance dentro da área, a bola de Darci, pela esquerda, vai à direita. Os atletas não suportavam mais nada. Mauro, caído, num esforço sobre-humano, chutou certeiro. Estava decretada a vitória do Esporte”, contou o Diario de Pernambuco.
DETALHES
Esporte
Gilberto; Cardoso, Samuel, Djalma e Nelsinho; Cacau e Pitta (Tovar); Amilton Rocha (Roberto), Mauro, Totonho e Darci.
Náutico
Tonho; Clésio, (Gerailton), Marião, Sidclei e Carlos Alberto; Drailton e Didi Duarte; Zuza (Gilvan), Toninho Vanusa, Titica e Marquinhos.
Árbitro: Luis Zeterman Torres (RS). Auxiliares: Gilson Cordeiro e Manoel Amaro de Lima (ambos de PE). Cartão amarelo: Nelsinho (NAU). Gols: Drailton (8' do 2º tempo); Mauro (158’ no total). Renda: Cr$ 1.004.425,00. Público: 39.288 pagantes.