Álbum da Copa 2026: coleção de figurinhas vira paixão compartilhada em família
Maior edição de todos os tempos, com 980 figurinhas, desafia o orçamento dos torcedores, mas mantém viva a tradição que passa de geração em geração
A bola ainda não rolou nos gramados dos Estados Unidos, Canadá e México, mas, para os apaixonados por figurinhas, a Copa do Mundo de 2026 já começou.
O álbum deste torneio é, inclusive, o maior da história dos Mundiais, contendo 980 colecionáveis das 48 seleções que participarão da competição na América do Norte.
A edição é o começo do fim de uma era, visto que a empresa italiana Panini e a FIFA encerrarão parceria em 2031, após o Mundial de 2030.
A federação anunciou novo acordo com a Fanatics Collectibles em meio a problemas de distribuição do álbum da Copa atual feito pela Panini, que começou oficialmente no dia 1º de maio. Consumidores que adquiriram a versão capa dura na pré-venda relatam atrasos significativos na entrega do produto.
A MEMÓRIA AFETIVA COM OS ÁLBUNS
A memória dos colecionadores de figurinhas com os álbuns de Copa do Mundo vira afetiva. Para muitos, começa na infância e nunca deixa de existir. É o caso de Karoline Albuquerque, jornalista, 32 anos, que coleciona desde a Copa da Alemanha, em 2006.
"Meu primo ganhou o álbum do pai, quando vinha no jornal, e decidimos fazer juntos, já que não tínhamos tanto dinheiro na época", relembra Karol. "Acabou que meu primo não se interessou tanto em ir para as trocas de figurinha e deixou o álbum comigo. Tenho de todas as Copas desde então", conta.
A Copa de 2006 também foi o marco para Sérgio Pimentel, técnico do seguro social, de 50 anos. Acostumado a juntar figurinhas nos anos 1990 para trocar por prêmios, ele continua desde o torneio realizado na Alemanha e conseguiu, inclusive, completar os álbuns nas últimas três edições da Copa.
Hoje, a paixão é compartilhada com o filho Vítor, de 10 anos. "É a primeira vez que ele participa diretamente das trocas e da colagem das figurinhas", conta o pai.
O fator 'maior álbum da história' pode ser encarado como algo positivo ou negativo — dependendo do ponto de vista. Com pacotes contendo 7 figurinhas custando R$ 7 e o livro entre R$ 24,90 (versão básica) e R$ 79,90 (versão em capa dura), estima-se que, para ter todos os 980 colecionáveis, uma pessoa gaste, no mínimo, mil reais.
Por isso, o peso no bolso pode assustar na hora de decidir colecionar o Álbum da Copa de 2026. "Me assustou muito [o tamanho do álbum]. Eu tenho certeza de que não vou conseguir completar porque, apesar de agora ter dinheiro de adulto, tenho responsabilidades de adulto também. Acho que só completo se parcelar", brinca Karol.
Para Sérgio, por outro lado, a recompensa está na sensação de completar cada página.
"De início, você fica meio desanimado por causa do valor investido na compra das figurinhas, mas a vontade e a alegria de completar cada página são recompensadoras", relata.
Outro ponto de debate é a nova numeração adotada pela Panini. Em vez da contagem tradicional (de 1 a 980), as figurinhas agora são numeradas por equipe (ex: BRA 1 a BRA 20).
A mudança agradou a Sérgio, que aliou a tecnologia à logística. "Acho que ficou mais fácil. Já existem aplicativos de celular que ajudam a identificar e eliminam a necessidade de transportar o álbum. Você faz as trocas se guiando pelo aplicativo e deixa o livro protegido em casa", ensina.
E, para quem prefere controlar os cromos que faltam à caneta, o Diario de Pernambuco disponibiliza uma tabela gratuita com a numeração completa. Acesse o material através deste link.