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SAF do Santa Cruz: veja os próximos passos para o novo grupo de investidores

Com data de audiência dos credores marcada, o Tricolor do Arruda fica mais perto de se tornar SAF; entenda como todo processo se deu até agora e o que ainda falta ser feito

Por Igor Fonseca e Ivan Mota

Os novos investidores da SAF do Santa Cruz

Depois de conquistar o acesso para a Série B, o Santa Cruz foca em se transformar em uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O Diario de Pernambucano traz um balanço de todo o processo iniciado em 2025, os atropelos, avaliação de especialista e os próximos que o Tricolor terá pela frente nas próximas semanas.

A nova formatação

Sob o comando de Thairo Arruda, que, além de investidor, será CEO, e Danilo Caixeiro, sócio dele na Matix, a SAF Tricolor contará com empresários internacionais de países como Colômbia, Estados Unidos e Itália.

Entre os investidores está o norte-americano Dave Horin, com mais de 30 anos de experiência em finanças e gestão executiva. Ele passou por empresas como KPMG e Jefferies e integrou a Eagle Football Holdings, grupo ligado a John Textor.

Outro nome é Paraj Tyle, também dos Estados Unidos, ligado à PTA Ventures. O empresário esteve no Arruda e participou da ratificação da operação da SAF no Conselho Deliberativo.

Paraj é primo de Sheel Tyle, empresário e investidor que integra o grupo de proprietários do Portland Trail Blazers, franquia que disputa a NBA.

A lista conta ainda com o italiano Gianpaolo Callioni, formado pela Universidade Bocconi, e o colombiano Carlos Garcia, fundador e CEO da LogistiX. Ambos possuem experiência no setor empresarial internacional.

Mas o torcedor do Tricolor quer saber: o que acontece agora e o que falta para a implementação da SAF? Para responder a essas e outras dúvidas, a reportagem do Diario de Pernambuco consultou advogados sobre o caso do Santa Cruz.

Complexidade das sociedades anônimas

Rafael Luna, professor e advogado de Direito, explica que a lei de Sociedades Anônimas (S.A’s) é uma das mais complicadas do âmbito jurídico brasileiro.

"Para constituir uma Sociedade Anônima é muito complicado. Tem toda uma burocracia, tem prazo, tem regulamentações. A lei de Sociedades Anônimas é uma das leis assim, mais longas e técnicas que a gente conhece. São quase 300 artigos de leitura completamente intrincada. É coisa para gente do mercado financeiro mesmo", explica.

Esse é um dos primeiros motivos, inclusive, da compra dos novos investidores de ações da Cobra Coral Participações S.A., criada pelo Grupo de Empresários de Minas Gerais — composto por Iran Barbosa, Alexandre Kubitschek, Marcus Bittar e Fernando Vieira Alves.

"Para não constituir uma nova S.A. e para não ocorrer atrasos no cronograma, qual foi a ideia do grupo capitaneado por Thairo? Eu vou comprar as ações do pessoal anterior", destrinchou o advogado.

A postura de Thairo e do novo grupo foi, inclusive, elogiada pelo Presidente do Conselho Deliberativo do Santa Cruz, Victor Pessoa de Melo, em entrevista ao Podcast Futebol Diario.

“Os caras estão trabalhando diuturnamente, de madrugada, cobrando posicionamentos, checagem de contrato, validação de tudo. Cada ponto tem sido tratado de maneira exaustiva por esse novo grupo, sem buscar holofotes, focados no que está pactuado em contrato”, declarou o dirigente.

O argumento de Victor Pessoa de Melo é corroborado pelo advogado que enxerga maior credibilidade no novo grupo.

“É um grupo mais bem constituído, bem mais profissional, com investidores estrangeiros reconhecidos", pontua Rafael.

Próximos passos da SAF

O próximo passo do Santa é a audiência dos credores, que deve ser marcada entre o fim de novembro e início de dezembro — visto que o clube já está em recuperação judicial há quatro anos.

"A recuperação judicial nada mais é do que um procedimento no qual uma empresa que possui muitas dívidas senta para renegociar com seus credores. Ela é feita em juízo para garantir institutos legais que permitem ao devedor continuar funcionando enquanto reorganiza as finanças", explica Rafael. "O Santa Cruz já vai para quatro anos de
recuperação judicial com as dívidas suspensas", completa.

Para os credores, a aprovação das renegociações parte do ponto de vista de receber valores que poderiam, por outro lado, nunca receber.

"O plano do Santa Cruz prevê um desconto no valor total das dívidas e o parcelamento do saldo remanescente em longos anos. Para o credor, aceitar um desconto grande é viável porque, se o plano for rejeitado, a falência é decretada. É melhor receber 20% ou 30% de algo ao longo do tempo do que ficar com 100% de nada", detalha Rafael.

Os novos investidores

Com o plano de recuperação judicial aprovado e as dívidas renegociadas, o passo seguinte é a realização de um leilão judicial para a compra da UPI (Unidade Produtiva Isolada).

Na prática, a UPI representa a transferência dos ativos, dos direitos comerciais e da operação do futebol do Santa Cruz — incluindo marcas, receitas e a gestão da modalidade — para o grupo investidor, adquirido de forma limpa e livre de dívidas anteriores.

Indo a leilão, no entanto, os direitos da SAF podem ser comprados por outros investidores — em caso de oferta maior que a atual. Isso também beneficiaria, em tese, o lado do Tricolor do Arruda, que pode ter uma vantagem competitiva na negociação.

Os empresários liderados por Thairo têm, por outro lado, o direito de cobrir a melhor oferta e a preferência em caso de empate. Ou seja, caso haja competição na hora do leilão, o grupo atual obtém preferência jurídica.

"Se um eventual investidor terceiro cobrir a oferta no leilão, a SAF atual tem direito a receber uma indenização pelos custos operacionais e pela auditoria realizada. Contudo, é muito difícil que apareça outro grupo investidor para fazer frente à proposta da Cobra Coral Participações", explica o advogado Rafael Luna.

Depois, disto, então, a SAF com Thairo e os investidores podem, de fato, começar a atuar no Santa Cruz.

E os investidores anteriores?

O problema enfrentado pelo Tricolor do Arruda com o grupo anterior esteve ligado à procedência e ao lastro dos recursos apresentados.

"A estrutura inicial da SAF sofreu reveses porque o grupo perdeu o lastro financeiro em duas ocasiões: primeiro com a Reag Investimentos, que foi liquidada por ligações com o PCC, e depois com a derrocada ligada ao Banco Master. Com isso, a operação ficou desprovida de garantias", esclarece Rafael.