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Com um a menos e em sete minutos, Santa Cruz vira jogo e conquista o Pernambucano

Tudo parecia caminhar para uma festa alvirrubra no Arruda até que o Santa Cruz, mesmo tendo um jogador expulso, iniciou a improvável virada aos 38 minutos do segundo tempo, garantindo o título do Campeonato Pernambucano de 1993

Por Carlos Lopes

Jogadores do Santa comemoram o título junto com a torcida

Há exatos 33 anos, acontecia uma das mais (se não a mais) sensacionais viradas de jogo em uma decisão da história do Campeonato Pernambucano. Com um jogador a menos, o Santa Cruz fez dois gols, nos sete minutos finais da partida, quando muitos torcedores já haviam deixado o Arruda, cravando o 2x1 no placar diante do Náutico.

O estadual de 1993 foi disputado em dois turnos, com o primeiro ficando nos Aflitos. Os tricolores deram uma mudança radical para a disputa do segundo. Dentre as mais importantes, a troca de comando: saiu Cláudio Garcia e entrou Charles Muniz.

Mas a chegada do centroavante Washington, ex-Atlético Paranaense e Fluminense, foi mais a impactante. O camisa 9 só precisou de um turno para marcar 22 vezes e se tornar o artilheiro da competição.

No embalo dos gols de Washington, o Santa venceu a primeira fase do segundo turno ao derrotar o Náutico, e a segunda, o Sport. Em ambas, por 2x0. Com melhor campanha, o Tricolor foi para decisão com a vantagem de jogar por dois empates.

Mas o gol de Lau, na primeira partida, reverteu a vantagem para os alvirrubros no segundo jogo da decisão, realizado no dia 28 de julho, com o Arruda lotado.

Quando o equilibrado primeiro tempo caminhava para o final, aconteceram dois lances que fariam o torcedor coral desacreditar na conquista do título: a expulsão de Washington, após entrada por trás em Lúcio Surubim, e o gol timbu, logo depois, em falta cobrada por Paulo Leme.

Com um a menos em campo e o placar negativo, os tricolores voltaram para o segundo tempo dando a impressão de que mal poderiam segurar a pressão do Náutico, que não quis saber da enorme vantagem e foi o ataque.

Segundo tempo

Por várias vezes, o segundo gol ficou no quase. Aos poucos, grande parte da torcida do Santa começou a deixar o Arruda e os espaços vazios começaram a aparecer na arquibancada.

Do lado adversário, a torcida alvirrubro já comemorava o título e dava tchauzinho aos tricolores em debandada, ainda aos 26 minutos.

O improvável começou a se tornar real aos 38 minutos. O camisa 10 coral, Fernando, recebeu uma enfiada de bola, driblou o goleiro Paraíba e empatou o jogo. Mas o 1x1 não era suficiente. Precisava marcar mais um para cravar a vitória e forçar a prorrogação.

O primeiro gol, no entanto, fez o Tricolor voltar a acreditar que era possível. E aí veio o segundo, o da virada, aos 44. Após lançamento longo, o zagueiro Parreira falhou, deixando o baixinho Célio, na entrada da área, em condições de bater forte, no canto, garantindo o placar de 2x1.

Os torcedores que estavam a caminho de casa deram meia volta e a arquibancada coral encheu de novo durante os primeiros minutos da prorrogação. Desta vez, com a vantagem do empate, e explorando o abalo emocional do adversário, o Santa controlou o jogo e levantou o título do Pernambucano de 1993.