Final da Copa do Mundo traz duelo de técnicos "caseiros" em Espanha x Argentina
Luis De la Fuente e Lionel Scaloni se destacaram internamente para comandar suas seleções até a final do Mundial
A final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina traz duelos históricos dentro de campo, como o choque de gerações entre Lamine Yamal e Lionel Messi. O jogo que decretará o campeão mundial, porém, também se destaca pelo encontro de perfis semelhantes na área técnica.
Luis De la Fuente, pela Espanha, e Lionel Scaloni, pela Argentina, fogem da grife dos técnicos renomados e conduzem suas seleções à grande decisão como treinadores “caseiros”. Os comandantes se enfrentam neste domingo (19), às 16h, em Nova Jersey.
Os dois profissionais contam com carreiras curtas e discretas antes de chegarem ao posto de treinadores principais de países campeões do mundo. Enquanto o espanhol realizou trabalhos notáveis nas categorias de base da própria seleção, o argentino assumiu a Albiceleste após um período como auxiliar técnico.
Luis de la Fuente: respeito ao processo e o DNA espanhol
Depois de construir uma carreira de pouco sucesso em clubes do futebol espanhol, Luis de la Fuente ganhou uma chance de ouro em 2013. Na ocasião, o comandante foi contratado para assumir a seleção espanhola sub-19.
Desde então, o profissional demonstrou toda a competência para desenvolver um trabalho com os jovens jogadores. De la Fuente foi campeão da Eurocopa nas categorias sub-19 e sub-21 e protagonizou um trabalho marcante ao longo de mais de uma década.
Depois da decepcionante campanha na Copa do Mundo de 2022, a Espanha demitiu o renomado técnico Luis Enrique e efetivou Luis de la Fuente no comando da seleção principal da Fúria.
A trajetória na seleção foi rapidamente exitosa. Com a vantagem de já conhecer a maioria dos jogadores das categorias de base, o treinador recuperou os grandes momentos do estilo de jogo espanhol, focado na posse de bola, mas sem perder a agressividade ofensiva.
Para se ter noção da importância do processo conduzido por De la Fuente, oito jogadores da atual seleção espanhola estiveram presentes na conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, após a derrota para o Brasil na final.
De la Fuente foi campeão da Eurocopa em 2024 com o futebol vistoso praticado pela Espanha e se consolidou como um dos melhores técnicos do planeta. Neste Mundial, o comandante é o principal responsável pela expectativa criada em torno da conquista do segundo título de Copa do Mundo dos espanhóis.
Lionel Scaloni: a oportunidade da carreira e a Scaloneta
Assim como Luis de la Fuente, o treinador argentino também contava com um currículo discreto antes de assumir a Albiceleste. Scaloni havia trabalhado apenas como auxiliar técnico no Sevilla, da Espanha, antes de ser convidado para integrar a seleção argentina.
O técnico de 48 anos fez parte da comissão técnica de Jorge Sampaoli durante a Copa do Mundo de 2018, além de comandar algumas partidas da equipe sub-20.
Em meio à crise financeira na AFA, Lionel Scaloni se tornou a solução da casa para assumir a seleção principal, que vivia um jejum de títulos de 28 anos. Com grande capacidade de gerir o grupo e promover evoluções táticas na equipe, Scaloni acabou efetivado no cargo.
A consagração do argentino como treinador principal ocorreu durante a Copa América de 2021, quando os argentinos conquistaram o título sobre a Seleção Brasileira, no Maracanã.
A Scaloneta seguiu embalada pela seleção argentina. Com um estilo de jogo baseado na posse de bola e na liberdade dada a Lionel Messi para potencializar seu desempenho dentro de campo, a Albiceleste chegou ao tricampeonato mundial em 2022, no Catar.
Após conquistar mais uma Copa América, em 2024, o time de Lionel Scaloni chegou à Copa do Mundo da América do Norte demonstrando uma força mental ainda mais expressiva, muitas vezes se impondo às questões táticas.
Na final contra os espanhóis, o técnico argentino poderá entrar para a história e se tornar o segundo treinador a conquistar duas Copas do Mundo consecutivas, igualando o feito do italiano Vittorio Pozzo, campeão em 1934 e 1938.
Relação dos adversários na final
A Espanha é, de fato, um dos pontos em comum entre os dois treinadores.
Scaloni jogou no país por quase uma década, defendendo o Deportivo La Coruña, o Racing de Santander e o Mallorca. Ele mantém residência nas Ilhas Baleares, onde vive com a esposa, a espanhola Elisa Montero, e os filhos.
Além disso, ele obteve suas licenças de treinador na Espanha, tendo Luis de la Fuente como um dos instrutores durante o curso que realizou em 2017.
"Além de tê-lo como instrutor no meu curso de treinador, eu tinha uma relação especial com Luis porque, francamente, aprecio sua acessibilidade e sua personalidade. O destino nos reuniu novamente hoje em uma final", disse o argentino, sorrindo, na quarta-feira (15), após a vitória épica de virada por 2 a 1 sobre a Inglaterra nas semifinais.
Números explicam sucesso
Com tempos diferentes de trabalho, Luis de la Fuente e Lionel Scaloni ostentam grandes números sob o comando de suas seleções. O espanhol dirigiu a Fúria em 48 jogos e possui aproveitamento de 81%, com 36 vitórias e apenas duas derrotas no período.
Do outro lado, o argentino fará o seu 100º jogo no comando da Albiceleste na final da Copa do Mundo. Scaloni tem aproveitamento superior a 79%, com 76 vitórias e quatro títulos conquistados.
Siga o canal do Esportes DP no Whatsapp e receba todas notícias do seu time na palma da mão.