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Coluna Além da Bola: A colônia e o colonizador

O embate colocará frente a frente o pelotão francês, o antigo colonizador, e uma de suas ex-bases na África, o time senegalês

Por Ricardo Novelino

Didier Deschamps, técnico da França, e Pape Thiaw, técnico de Senegal

O sexto dia da Copa 2026 começa com um jogo que promete grandes emoções, como diria o rei Roberto Carlos.

Às 16h (de Brasília), entrarão em campo a França, candidatíssima ao título, e Senegal, que pode surpreender no grupo, que ainda tem a Noruega, do craque Haaland, e o Iraque.

O embate colocará frente a frente o pelotão francês, o antigo colonizador, e uma de suas ex-bases na África, o time senegalês.

A história desses dois países se entrelaçou ainda no século XVII, quando a nação europeia fundou, em 1638, um entreposto comercial na foz do Rio Senegal.

Em 1814, o domínio francês sobre o litoral do Senegal foi decretado pelo Tratado de Paris. Saint-Lous virou um dos centros da colônia.

Ao longo dos anos seguintes, a colonização francesa teve impacto na cultura e na economia da colônia senegalesa, que só conseguiu ficar independente em 1960.

Livros de história à parte, a partida pode comprovar a supremacia francesa no futebol atual.

Campeã em 2018, na Rússia, e vice, no catar, quatro anos depois, os “azuis” tem a equipe da ex-colônia engasgada.

Em 2002, na abertura da Copa da Coreia do Sul e Japão, os franceses foram derrotados por Senegal, por 1 x 0, com gol de Diouf, que venceu o meia Pettit na corrida e empurrou a bola para o fundo das redes do goleiro Barthez.

Noves fora, a França caiu na primeira fase e viu o sonho do bicampeonato consecutivo se esvair.

Agora, 24 anos depois daquela Copa, marcada pelo nosso Penta, ex-colonizadores e ex-colonizados entram em campo em situações bem distintas.

Capitaneados pelo astro Mbapé e pelo Bola de Ouro (com controvérsias), Osmáne Demeblé, o time francês está cheio de craques.

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É um verdadeiro cardápio. Tem o “enjoado” meia-atacante Olisé, do poderoso Bayern Minique, os jovens Doué e Zaire-Emery, a força do zagueiro Saliba, além de Cherki, que mostra uma habilidade capaz de dar uma “inveja boa” ao Brasil.

Nos últimos meses, a seleção senegalesa ganhou notoriedade por causa da confusão na Copa das nações Africanas, de 2025.

O time de Sadio Mané, aquele que formou o incrível ataque do Liverpool com o brasileiro Roberto Firmino e o mago egípcio Mo Salah, ganhou de 1 x 0 de Marrocos, dentro de campo.

Revoltada com a arbitragem, que deu um pênalti ao adversário no fim do tempo regulamentar, deixou o gramado.

Os caras de Marrocos perderam a penalidade. Com isso, de imediato, Senegal levou o caneco, mas ficou sem ele, por decisão posterior.

Os “escalões graduados” do “Planeta Bola” decretaram um W.O e revogaram a conquista senegalesa.

Diante de tudo isso e um pouco mais, França e Senegal têm tudo para fazer um jogo apimentado. Quem leva: Mbapé ou Mané?

Um tira-teima entre a geração de craques francesa, tentando o tri, azeitada por uma comissão técnica que está no cargo há anos, contra “azarões” em potencial, os Leões de Teranga.

Só existe uma certeza: ganha quem parar para assistir.