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Coluna Além da Bola: Será que vai?

Brasil se apega à história e a tabu invicto contra africanos em estreia na Copa do Mundo

Por Ricardo Novelino

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira

Quando a Fifa sorteou os grupos da Copa do Mundo de 2026, lá em 5 de dezembro do ano passado, veio um misto de emoções. O Brasil caiu num grupo com Marrocos, Haiti e Escócia.

Não daria para considerar "tão fácil assim", mas não seria de “outro mundo” pegar essas três equipes na primeira etapa.

Tirando o Haiti, seleção com pouca tradição em mundiais, as outras duas seleções eram “boas” conhecidas e, mesmo com a evolução do futebol, a princípio, não meteriam medo na “Canarinho”. Afinal, ao longo da história dos torneios, nosso time jamais perdeu para uma equipe africana.

Desde 1974, com a vitória de 3 x 0 sobre o Zaire (hoje República Democrática do Congo), passando por êxitos contra Argélia (86), Camarões (94 e 2014), Gana (2006) e Costa do Marfim (2010), foi tudo tranquilo. Gols e alegria.

O próprio Marrocos, o oponente da estreia este ano, também já foi adversário do Brasil. Em 1998, na França, na segunda partida da primeira fase, ganhamos por 3 x 0. O jogo ficou marcado pelo primeiro gol de Ronaldo Fenômeno em copas.

E, por falar em 1998, o jogo de estreia teve como adversária a Escócia, que pegaremos também este ano, na terceira rodada da fase de grupos. Em território francês, o jogo contra os “caras do uísque” foi mais complicado. Cafu tirou da cartola um gol estranho, de costas, e garantiu o 2 x 1. Anos antes, o esquadrão de Telê Santana, em 1982, na Espanha, deu um “chocolate” de 4 x 1, com direito a golaços de Zico, de falta, e Éder, por cobertura.

 

 

Diante de tantas letras escritas, o leitor pergunta: passado ganha jogo? Então. É aí que mora o perigo.

O mundo da bola mudou. E muito. A camisa amarela do Brasil não tem mais o peso do passado. Estamos há 24 anos sem ganhar Copa e os títulos “menores” rarearam. O nosso ciclo para o Mundial de 2026 foi caótico. Quatro técnicos, dezenas de testes e nada de confiança.

Neymar Jr., o cara que poderia dar um alento, não treina nem joga. Também faz tempo que não brilha. Além disso, teve a lesão de Estêvão, o menino-prodígio, de Rodrygo, uma esperança, e de Éder Militão, que mais parece de cristal.

Na prancheta do italiano Ancelotti, o primeiro estrangeiro a dirigir a Seleção numa Copa, os números se embaralham. A ideia original dele era fazer um sistema de jogo 4-2-4, com dois meio-campistas apenas. Deu xabu. Então, veio o plano de um 4-3-3, com três no meio.

A convocação inicial tinha muito zagueiro e atacante e poucos caras para preencher o que se chamou de “zona do agrião”, o meio-campo. Para piorar, veio o corte de Wesley, já em solo dos EUA, no último amistoso. E tome treino. E tome dúvidas. Carletto tentou uma “gambiarra” com a convocação do volante Éderson na última hora, para encorpar as opções do meio.

Só que agora a onça vai beber água, como diriam os antigos. Mesmo sem muita coisa definida e sem saber quem está pronto para as batalhas, temos que encarar a realidade. Que o passado nos inspire. e que a gente, em alguns dias, se esqueça da pergunta que ronda o Brasil inteiro antes da estreia: “será que vai?”