Coluna Além da Bola: A Copa das Copas
Com novos participantes, mais jogos e um Brasil que ainda busca convencer, o Mundial de 2026 abre espaço para surpresas dentro e fora de campo
Atenção, maníacos por futebol, espectadores eventuais e até mesmo quem não sabe o que significa VAR. Chegou a hora. É Copa.
É hora de pegar o medidor de pressão, reforçar o estoque de remédios para o coração e roer as unhas.
Para quem assiste, emocionado, aos jogos dos times pernambucanos nas Séries B e C do Brasileirão, o Mundial é um deleite. É um momento de catarse sazonal.
A cada quatro anos, tudo vira festa. Leões, Timbus e Corais se abraçam; em caso de gol, ateus pedem a Deus na hora do pênalti e crentes vão para o bar.
Tudo em nome da Seleção Canarinho. E, este ano, é ainda mais. É a Copa das Copas. Pudera! São 48 equipes, três países sediando e mais jogos do que cassino clandestino.
Teremos timaços prometendo revolucionar o esporte bretão. Devemos ficar de olho. A França vai com um cardápio invejável de craques, a Espanha levou uma garotada inspirada e a Alemanha, que é sempre a Alemanha. Virou, mexeu, os caras vão lá e ganham. Alguém falou em 7 a 1?
E sem falar nos argentinos, liderados pelo ET Lionel Messi, em seu último tango. Há quem aposte em Portugal, com sua geração de ouro (que não foi extraída da capitania brasileira) e o capitão Cristiano Ronaldo rumo ao milésimo gol.
E aí perguntam: e o Brasil?
Bem, diante dessa questão, nem Leandro Karnal consegue organizar um raciocínio para encaixar os comandados pelo italiano Carlo Ancelotti entre os favoritos ao título.
A equipe está bem longe de um nível capaz de fazer sonhar. Ganha uma mariola quem conseguir escalar do goleiro ao ponta esquerda sem gaguejar.
Na preparação teve de tudo: uma danação de técnicos, goleada sofrida para a Argentina e uma penca de jogadores testados que não teriam condições sequer de amarrar as chuteiras coloridas de muitos craques estrangeiros.
Entre os escolhidos, muitos zagueiros e atacantes, mas poucos meio-campistas. Wesley, o menino da lateral, o único que tinha cacoete da posição, foi cortado por contusão. Em compensação, levaram um cara que não treina, não joga e só faz novela.
Esperar brilho de Neymar Jr. nesta Copa é fazer uma aposta arriscada. É como comprar um consórcio de Chevette movido a álcool.
Mas Copa é Copa.
E quem não se entusiasmar com o Brasil poderá vestir a camisa dos azarões. Afinal, quem um dia imaginou acompanhar um jogo de Curaçao, Bósnia ou Haiti?
E quem diria: vai ter jogo na TV com República do Congo e Uzbequistão. E de madrugada.
Que maravilha!
É a Copa dos narradores de TV jurássicos competindo com a "jovem guarda" da internet. Rostinhos bonitos, muita gritaria e horas a fio discutindo como varrer a areia da praia.
Mas é Copa, né? E tem suas nuances.
Veremos jogos no México, onde Pelé confirmou a realeza e Maradona virou "Deus". Haverá partidas nos Estados Unidos, palco do nosso tetra, com a cara de Bebeto e Romário. Que os deuses do futebol se inspirem e garantam, ao menos, diversão e emoção.
Já o título...