Guia da Copa 2026: o que esperar do maior e mais caro Mundial da história
Com 48 seleções e show de intervalo na final aos moldes do Super Bowl, competição começa nesta quinta-feira (11) sob forte vigilância contra o crime organizado.
O pontapé inicial para a maior Copa da história será nesta quinta-feira (11), no Estádio Azteca, na Cidade do México.
A partida de abertura, válida pelo Grupo A, ocorre entre o anfitrião México e a África do Sul, às 16h (horário de Brasília). Esta será a primeira edição sediada por três nações — além dos mexicanos, Canadá e Estados Unidos dividem a organização do Mundial.
Ainda na quinta-feira, outro confronto movimenta os gramados em solo norte-americano pelo mesmo Grupo A: Coreia do Sul e República Tcheca se enfrentam às 23h (horário de Brasília).
Este é o primeiro torneio no formato com 48 seleções, divididas em 12 grupos de quatro integrantes.
A Copa também marca uma era de transição nos gramados visto que este deve ser o último Mundial de craques como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi e Neymar.
Por outro lado, o torneio serve como palco para a estreia de promessas que já brilham em solo europeu, como Endrick, Lamine Yamal e Erling Haaland.
Momentos de tensão no México
Às vésperas da abertura da Copa, o México intensificou o policiamento nas ruas da capital para conter o risco de ações de cartéis de drogas e gerenciar protestos sociais. O país projeta receber mais de 5 milhões de turistas para o torneio.
O estado de alerta aumentou após a morte do líder do narcotráfico Nemesio "El Mencho" Oseguera, em fevereiro deste ano. A operação militar que resultou na morte do traficante desencadeou episódios de violência em 20 estados do país, inclusive em Jalisco, cuja capital, Guadalajara, é uma das sedes do Mundial.
Além do policiamento contra o crime organizado, as autoridades locais enfrentam protestos de professores em greve, que bloquearam rodovias e acessos ao Zócalo, a praça central da Cidade do México que abriga a Fan Fest.
A operação de segurança da Copa do Mundo, batizada de Plano Kukulkán, mobiliza um contingente de 100 mil homens, somando integrantes das Forças Armadas, polícias locais e segurança privada.
FIFA foca em entreterimento
A Fifa adota o entretenimento como estratégia para transformar a Copa de 2026 em um marco cultural.
A proposta artística visa atrair audiências que vão além dos fãs tradicionais do esporte, misturando superestrelas globais a expoentes regionais nas cerimônias de abertura.
Entre as atrações confirmadas estão Katy Perry, Alanis Morissette, o rapper Future, o ícone do pop tailandês Lisa, o nigeriano Rema e a brasileira Anitta. A música oficial do torneio é "Dai Dai", uma colaboração entre Shakira e o cantor nigeriano Burna Boy.
A principal novidade econômica e de formato será na final, marcada para 19 de julho na região metropolitana de Nova York. Pela primeira vez, o encerramento do Mundial terá um show de intervalo nos moldes do Super Bowl da NFL.
A produção é avaliada entre 10 e 20 milhões de dólares (aproximadamente entre 51,6 e 103,3 milhões de reais) e será realizada em parceria com a ONG Global Citizen, trazendo apresentações de Madonna, Shakira e do grupo sul-coreano BTS para uma audiência estimada em 2 bilhões de telespectadores.
Faturamento histórico
A expansão no número de participantes e de jogos impulsionou as finanças da FIFA para patamares inéditos.
A entidade projeta uma receita recorde de US$ 13 bilhões (R$ 65,5 bilhões) para o ciclo 2023-2026, sendo US$ 8,9 bilhões (R$ 44,8 bilhões) gerados exclusivamente em 2026. O montante representa um salto de 56% em relação ao Mundial do Catar (2022) e o dobro do arrecadado na Copa realizada no Brasil (2014).
O crescimento financeiro é sustentado pelo aumento de visibilidade para patrocinadores na América do Norte e por novas estratégias de arrecadação, como a precificação dinâmica de ingressos.
A receita de bilheteria projetada é de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões), o triplo do registrado em 2022. Os direitos de transmissão televisiva cresceram 34%, atingindo quase US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões), enquanto os patrocínios registraram alta de 21%.
Do orçamento total, a FIFA destinará US$ 3,7 bilhões (R$ 18,6 bilhões) para as despesas operacionais do torneio. A premiação total distribuída às seleções subiu para US$ 871 milhões (R$ 4,3 bilhões) — contra os US$ 440 milhões pagos no Catar.
Cada uma das 48 federações participantes tem garantida uma cota mínima de US$ 12,5 milhões (R$ 63 milhões), e o campeão embolsará US$ 50 milhões (R$ 252 milhões).
No entanto, devido aos custos elevados de logística pela extensão geográfica e impostos nos Estados Unidos e Canadá, analistas de mercado apontam que as seleções precisarão chegar ao menos às quartas de final para obter lucro real.
*com informações da AFP