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Copa do Mundo: o que aconteceu nos Mundiais de 1950 e 1954?

Copas de 1950 e 1954 tiveram vencedores surpreendentes, Uruguai e Alemanha

Por AFP

Uruguai venceu o Brasil na final da Copa de 1950

O mundo começava a se recuperar dos estragos da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) quando a Fifa decidiu, durante um congresso em Luxemburgo em 1946, realizar a quarta Copa do Mundo, um troféu que, a partir daquele momento, passou a ser conhecido como Taça Jules Rimet, em homenagem ao criador do torneio.

Apenas um país apresentou uma candidatura para sediá-lo, o Brasil, onde o futebol já havia se tornado uma paixão nacional. O Maracanã, concebido como o maior estádio do mundo, então com capacidade para 200 mil pessoas, foi construído para ser o palco principal do torneio de 1950.

 

O Brasil venceu todos os jogos com um futebol bonito e veloz graças a jogadores como Ademir de Menezes, Zizinho e Chico. Na partida final, um empate contra o Uruguai bastava para o título. A Copa do Mundo parecia praticamente decidida.

Porém, veio a surpresa. No dia 16 de julho, com o Maracanã lotado, os uruguaios demonstraram o verdadeiro significado da "garra charrúa". A 11 minutos do apito final, com o placar em 1 a 1, Alcides Edgardo Ghiggia calou o estádio e o país inteiro com um chute rasteiro que selou a vitória da 'Celeste' por 2 a 1. Os uruguaios se sagraram bicampeões com a virada, e o "Maracanaço" ficou gravado na história da Copa do Mundo.

 

 

Suíça 1954 

Se o Uruguai foi a surpresa de 1950, a Alemanha deixou o mundo de boca aberta ao triunfar — contra todas as probabilidades — sobre os húngaros, os favoritos absolutos, na final da Copa do Mundo de 1954, na Suíça. A Hungria ostentava um timaço repleto de estrelas do calibre de Sándor Kocsis, Zoltán Czibor e Ferenc Puskás, e estava invicta havia quatro anos. 

A Suíça foi escolhida como anfitriã por ter saído ilesa da Segunda Guerra Mundial, graças à sua neutralidade. Representando as Américas, Uruguai e Brasil também estavam determinados a dar tudo de si. O primeiro para defender seu título, e o segundo, com um elenco totalmente renovado, para se redimir após a dolorosa decepção de quatro anos antes.

Dezesseis nações chegaram para disputar o torneio. Dois gigantes do futebol se ausentaram: a União Soviética e a Argentina. A Ásia foi representada por um único país: a Coreia do Sul. Outra novidade do torneio foi a transmissão pela televisão.

Foi um festival de gols: 140 no total, uma média de 5,38 por partida e um recorde que até hoje não foi superado. A Hungria goleou a Coreia por 9 a 0 e a Alemanha por 8 a 3. A derrota acachapante dos alemães explica-se, em parte, pelo fato de que seu técnico, Sepp Herberger, poupou seus principais jogadores para a partida seguinte, um confronto decisivo. Ele não estava enganado.

Nas quartas de final, os húngaros enfrentaram o Brasil e venceram por 4 a 2. Enquanto isso, a Alemanha eliminou a Iugoslávia vencendo por 2 a 0. O destino quis que Hungria e Uruguai se encontrassem nas semifinais, no que foi batizado, à época, de "O Jogo do Século".

Os húngaros venceram por 4 a 2 na prorrogação, depois que a 'Celeste' reagiu a um placar adverso de 2 a 0 marcando dois gols nos últimos 15 minutos do tempo regulamentar (75' e 86'). Os alemães, por sua vez, golearam os austríacos por 6 a 1.

Chovia torrencialmente no dia 4 de julho, em Berna, dia e local da final. Puskás, que decidiu jogar apesar de uma torção no tornozelo, abriu o placar para os húngaros. Czibor fez o segundo. Mas os alemães não se intimidaram. Dez minutos depois, Morlock e Rahn já haviam empatado a partida.

E, faltando cinco minutos para o fim, um passe perfeito do capitão Fritz Walter transformou Rahn no algoz definitivo dos magiares. A Hungria perdeu justamente a única partida que simplesmente não podia perder.
A Alemanha comemorou o 'Milagre de Berna'.