Guia da Copa 2026: França aposta em geração estrelada para voltar ao topo do mundo
França une geração de ouro e favoritismo em busca do tricampeonato da Copa do Mundo
Embalada por uma geração repleta de estrelas, a França chega à Copa do Mundo de 2026 com credenciais que a colocam entre as principais candidatas ao título. Atual vice-campeã mundial, a seleção francesa disputará o torneio sob a expectativa da despedida do técnico Didier Deschamps, que confirmou sua saída do comando dos "Les Bleus" após 14 anos à frente da equipe francesa.
Cabeça de chave do Grupo I, a França estreia no dia 16 de junho, uma terça-feira, diante de Senegal, no Estádio MetLife, em Nova Jersey. A caminhada na fase de grupos seguirá para a Filadélfia no dia 22, onde enfrentarão o Iraque, e será encerrada em Boston, no dia 26, contra a Noruega. Se alcançar a grande final, a França igualará o feito histórico de Alemanha e Brasil ao chegar a três decisões seguidas.
Aos 56 anos, Didier Deschamps personifica as maiores glórias do futebol francês. Capitão do primeiro título em 1998 e arquiteto da conquista de 2018 na Rússia, o treinador faz parte do seletivo grupo de lendas, ao lado de Mário Zagallo e Franz Beckenbauer, que ergueram a taça mais cobiçada do planeta tanto no gramado quanto no banco de reservas.
Desde que assumiu o cargo em 2012, substituindo Laurent Blanc, Deschamps acumulou um título mundial na Rússia em 2018, o vice-campeonato no Catar em 2022, uma taça da Liga das Nações (2020/21) e o vice-campeonato da Euro em 2016. Em janeiro de 2025, o comandante antecipou que este será seu último torneio na liderança da seleção, transformando a campanha de 2026 em uma jornada de despedida.
Campanha invicta e ataque avassalador
Os franceses carimbaram o passaporte para o torneio no dia 13 de novembro de 2025, ao golearem a Ucrânia por 4 a 0 no Parc des Princes, pela quinta rodada do Grupo D das eliminatórias da UEFA. A seleção terminou o torneio qualificatório de forma invicta em seis partidas, cedendo pontos apenas no empate contra a Islândia. A consistência chamou a atenção: foram 16 gols marcados e apenas quatro sofridos, consolidando a melhor defesa e o melhor ataque de sua chave.
Um arsenal de craques e o melhor do mundo
Se coletivamente a França já impõe respeito, individualmente seu elenco é capaz de desequilibrar qualquer partida. Capitão dos Les Bleus, Kylian Mbappé chega ao Mundial no auge da carreira, aos 27 anos. Principal estrela do Real Madrid, o atacante encerrou a temporada 2025/26 com impressionantes 42 gols em 44 partidas. Camisa 10 e maior artilheiro da história da seleção francesa, Mbappé divide os holofotes com Ousmane Dembélé, do PSG, atual vencedor do prêmio de melhor jogador do mundo.
Apesar do currículo pesado, o camisa sete ainda busca sua grande afirmação com a camisa da França em Copas do Mundo. Nas duas edições anteriores que disputou na Rússia (2018) e no Catar (2022), o jogador teve participações discretas, oscilando entre o banco de reservas e exibições que não refletiam o futebol avassalador apresentado no PSG. Desta vez, a história promete ser diferente. Mais maduro e blindado fisicamente, o Dembélé chega ao torneio não apenas como uma engrenagem tática de Didier Deschamps, mas como um dos principais nomes capazes de elevar o teto ofensivo dos Bleus.
A renovação do elenco também se mostra potente. O trio ofensivo ganha a velocidade e a precisão de Michael Olise, destaque do Bayern de Munique com 42 gols e 53 assistências em 105 partidas. Além dele, prodígios como Rayan Cherki ( City) e Désiré Doué (PSG) garantem uma profundidade no ataque.
A experiência e o alerta na defesa
Para sustentar a juventude dos novos talentos, a bagagem de vestiário se faz presente. O lateral Lucas Hernández e o volante N'Golo Kanté são, ao lado de Mbappé e Dembélé, os únicos remanescentes do elenco que se sagrou campeão mundial em 2018, na Rússia.
Essa mescla de experiência ganha ainda mais solidez defensiva com William Saliba, do Arsenal, mas a seleção francesa ganhou um motivo de preocupação a poucos dias da Copa do Mundo. Titular absoluto da defesa, Saliba agravou uma lesão que já carregava antes da final da Liga dos Campeões e corre sério risco de ser cortado da lista final. Após o apito final, o problema físico se agravou, acendendo o sinal de alerta máximo na comissão técnica francesa às vésperas da estreia no Mundial.
Dados da França na Copa do Mundo:
- Melhores Copas do Mundo: 1998 e 2018 (bicampeã)
- Última Copa do Mundo: Catar 2022 (vice-campeã)
- Primeira Copa do Mundo: Uruguai 1930 (fase de grupos)
- Participações: 17 (1930, 1934, 1938, 1954, 1958, 1966, 1978, 1982, 1986, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022, 2026)
- Histórico na Copa do Mundo: 73 J, 39 V, 14 E, 20 D, 136 GP, 85 GC
Escalação base da França: Maignan; Koundé, Saliba, Upamecano e Theo Hernández; Tchouaméni e Rabiot; Olise, Cherki, Dembélé e Mbappé.
Confira a lista de convocados da França:
Goleiros: Mike Maignan (Milan), Robin Risser (Lens), Brice Samba (Rennes).
Defensores: Lucas Digne (Aston Villa), Malo Gusto (Chelsea), Lucas Hernandez (PSG), Theo Hernandez (Al-Hilal), Ibrahima Konaté (Liverpool), Jules Koundé (Barcelona), Maxence Lacroix (Crystal Palace), William Saliba (Arsenal), Dayot Upamecano (Bayern de Munique).
Meio-campistas: N'Golo Kanté (Fenerbahçe), Manu Koné (Roma), Adrien Rabiot (Milan), Aurélien Tchouaméni (Real Madrid), Warren Zaïre-Emery (PSG).
Atacantes: Maghnes Akliouche (Monaco), Bradley Barcola (PSG), Rayan Cherki (Manchester City), Ousmane Dembélé (PSG), Désiré Doué (PSG), Jean-Philippe Mateta (Crystal Palace), Kylian Mbappé (Real Madrid), Michael Olise (Bayern de Munique), Marcus Thuram (Inter de Milão).