Vendas de carros elétricos no Brasil caíram 18,1% entre agosto e setembro, passando de 27.166 para 22.246 unidades emplacadas, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Em comparação com setembro de 2025, porém, o segmento cresceu 172,3%.
A alta mostra que a redução mensal não elimina o interesse dos consumidores pelo produto. Dois fatores principais ajudam a explicar essa queda: a manutenção de juros elevados no país e a saturação da logística global, que atrasa as entregas.
Modelos populares concentram a redução
O Geely EX2 despencou de 5804 unidades em agosto para 2724 em setembro, queda de 53,1%. Juntos, esses dois modelos responderam por 5688 dos 4920 emplacamentos perdidos no segmento. Ou seja, representaram mais que a queda total registrada naquele mês.
Sem a queda nas vendas desses dois veículos, os demais modelos elétricos a bateria teriam crescido 5,3% em setembro. A Geely informou que determinadas versões e cores do EX2 estavam em fila de espera com entregas previstas para começar em dezembro.
Juros altos afetam a conversão de interesse em compra
A taxa média de juros para financiamento de veículos no Brasil atingiu 1,97% ao mês em agosto, de acordo com dados do Banco Central. Esse custo do dinheiro eleva as parcelas mensais, tornando veículos elétricos, que custam mais que seus equivalentes a combustão, inacessíveis para parcela significativa dos compradores interessados.
A diferença entre querer um carro elétrico e conseguir financiá-lo revela uma asfixia financeira, não uma rejeição ao produto. A aprovação de crédito na ponta final é o que realmente converte interesse em emplacamento.
Com um preço médio maior, o valor financiado exige parcelas que muitas vezes não cabem na renda mensal do brasileiro. Por isso, os bancos aumentam o rigor nas aprovações e exigem entradas maiores para reduzir o risco de inadimplência.
Logística global prensa entregas mundialmente
A pressão logística não é exclusiva do Brasil. Na Nova Zelândia, mais de 2 mil veículos fabricados na China aguardavam transporte marítimo em junho de 2026, com atrasos de semanas além dos prazos originais. A escassez de navios com destino a mercados específicos prolongava a espera dos clientes.
Esse congestionamento ocorre em meio à expansão das exportações chinesas de veículos elétricos para o mundo. A pressão logística deve diminuir gradualmente, mas continua afetando a disponibilidade de novos modelos nos principais mercados consumidores. Até lá, o desejo por esses carros seguirá pressionado pelos mesmos dois gargalos: crédito caro e falta de navios.
Por que juros altos travam a compra mesmo com interesse alto
O carro elétrico custa mais caro que seu equivalente a combustão. Quando os juros estão elevados, o valor total financiado sobe bastante, fazendo a parcela mensal ficar incompatível com a renda do brasileiro médio.
Os bancos, receosos com inadimplência, então aumentam as exigências.Pedem entradas maiores e aprovam menos crédito, e resultado: muita gente quer comprar, mas não consegue financiamento.
Quando a queda não reflete desinteresse real do consumidor
A redução de emplacamentos em setembro não significa que os brasileiros rejeitam carros elétricos. O Geely EX2 caiu 53%, mas a fabricante informou que versões e cores específicas estavam em lista de espera com entregas previstas para dezembro.
Quando um produto está em fila de espera ou tem entrega adiada, a queda nos números não mostra falta de procura, mostra falta de oferta.










