O maior dinossauro já descoberto em território brasileiro foi batizado de Austroposeidon magnificus, um gigantesco titanossauro que alcançava aproximadamente 25 metros de comprimento. A espécie, que habitou há milhões de anos a região onde atualmente está localizado o município de Presidente Prudente, no interior paulista, teve seu nome e suas características científicas apresentados oficialmente no Rio de Janeiro, em uma quarta-feira.
Os ossos que permitiram identificar a espécie foram coletados há seis décadas pelo paleontólogo Llewellyn Ivor Price (1905-1980) e ficaram guardados no acervo do Museu de Ciências da Terra. O material não foi preparado e estudado antes por falta de estrutura adequada e recursos financeiros.
A dificuldade de manuseá-lo também contribuiu para a demora, informou ao GZH Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional.
Uma descoberta que levou décadas
Por muito tempo, um conjunto formado sobretudo por vértebras do pescoço e da coluna ficou guardado em prateleiras de madeira. A conservação exigiu temperatura controlada e a remoção cuidadosa de sedimentos acumulados sobre os ossos.
Equipes do Museu de Ciências da Terra, do Museu Nacional, da Petrobras e da Universidade Federal de Pernambuco uniram forças para classificar o fóssil e entender sua anatomia.
O Austroposeidon é muito maior que o Maxakalisaurus topai, até então o maior titanossauro registrado no país. O recordista tinha 13 metros, pouco mais da metade do novo gigante. Em porte, o Austroposeidon se aproxima de parentes argentinos como o Mendozasaurus e o Futalognkosaurus.
Características nunca antes vistas
Uma tomografia computadorizada revelou anéis de crescimento intercalados com tecido ósseo mais denso nas vértebras do Austroposeidon — características nunca antes vistas em titanossauros. O significado dessas estruturas ainda não é bem compreendido pelos pesquisadores.
Os titanossauros formavam um grupo de herbívoros de pescoço e cauda longos, com crânio relativamente pequeno em relação ao corpo. Esses répteis prosperaram durante o Cretáceo, entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás, principalmente no supercontinente Gondwana, que reunia América do Sul, África, Índia, Antártica e Austrália.
A espécie recém-descrita mostra que gigantes também dominavam o território brasileiro naquele período remoto. A partir de 6 de outubro, parte do material encontrado e uma reconstrução do braço do animal, em tamanho natural, ficaram expostos para visitação pública no Museu de Ciências da Terra.
O que diferencia o Austroposeidon de outros titanossauros
O Austroposeidon apresenta uma combinação única de características vertebrais entre os titanossauros conhecidos. Essas características distinguem a espécie de seus parentes gigantes, e o significado exato dos anéis de crescimento ainda não é conhecido pelos pesquisadores. Por isso, eles não permitem generalizar sobre como os titanossauros cresciam e se desenvolviam.
A raridade das descobertas de dinossauros no Brasil
Diferentemente da Argentina, onde regiões desérticas deixam as rochas constantemente expostas, o Brasil enfrenta um desafio geológico: a maioria dos depósitos de fósseis do período Cretáceo está recoberta por solo, plantações e cidades. No interior de São Paulo, por exemplo, rochas antigas ficam sob uma espessa camada de terra, ocultadas por extensos canaviais.
Por isso, muitas descobertas de dinossauros brasileiros não são feitas por cientistas em expedições planejadas, mas sim por trabalhadores em pedreiras e pessoas que passam por estradas durante atividades cotidianas. Após o achado, esses fósseis são comunicados às universidades para estudo. Essa característica torna cada descoberta ainda mais valiosa para a compreensão da vida pré-histórica brasileira.
Como a equipe preparou um fóssil tão delicado para estudo
- Manter o material em temperatura controlada enquanto estava armazenado nas prateleiras de madeira do museu
- Remover cuidadosamente sedimentos de terra e rocha acumulados sobre os ossos ao longo dos anos
- Reunir equipes de múltiplas instituições — Museu de Ciências da Terra, Museu Nacional, Petrobras e Universidade Federal de Pernambuco — para trabalhar em conjunto
- Realizar tomografia computadorizada para examinar a estrutura interna das vértebras sem danificá-las
- Classificar a espécie com base nas características anatômicas únicas encontradas nos ossos
Segundo um estudo publicado na revista PloS one em 2016, austroposeidon foi um dinossauro gigante de cerca de 25 metros de comprimento que viveu no interior de São Paulo durante o período Cretáceo e é um dos maiores já descobertos no Brasil. Veja o estudo.










