Uma réplica da Estátua da Liberdade desabou em Guaíba, no Rio Grande do Sul, no último ano, derrubada por rajadas que passaram dos 90 km/h e castigaram a região metropolitana de Porto Alegre. A estrutura tinha 24 metros de altura, apoiada sobre uma base de 11 metros, e o episódio voltou a chamar atenção para esse tipo de monumento.
A estátua era feita de fibra de vidro e saiu das mãos de uma fabricante catarinense sediada em Camboriú. A ideia nasceu em 1995, quando o garoto Rafain, então com sete anos e morador de Brusque, propôs a Luciano Hang a instalação de uma Estátua da Liberdade diante de uma das lojas, que já seguia a Casa Branca como referência arquitetônica.
Do tamanho e da fabricação das estátuas
A proposta agradou, e a primeira estátua foi inaugurada naquele ano. Desde então, ela se tornou uma marca visual da rede Havan. O tamanho-padrão é de aproximadamente 37 metros, mas há variações conforme a localização da loja.
Em Barra Velha, Santa Catarina, uma das réplicas chega a 57 metros e é a maior do Brasil. A fabricação de cada estrutura leva entre 25 e 30 dias e envolve seis empresas na cadeia produtiva. Atualmente, pelo menos 70 estátuas semelhantes estão distribuídas nas lojas da Havan no país, todas com Anotação de Responsabilidade Técnica registrada.
Incidentes com as estruturas
O incidente ocorrido em Guaíba aconteceu enquanto a Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantinha alerta vermelho para tempestades. Segundo a Havan, ninguém ficou ferido e não houve prejuízo a terceiros. Técnicos foram chamados para remover a estrutura, enquanto o local permaneceu isolado por motivos de segurança.
A filial funcionava desde 2020, e a empresa disse que fará uma vistoria técnica para apurar as causas do incidente e definir as próximas medidas. Segundo a Havan, a prioridade é a segurança de clientes, colaboradores e da comunidade.
Além dos riscos climáticos, as estátuas também enfrentam vandalismo, e em 23 de setembro, uma réplica em Petrolina, Pernambuco, foi incendiada. Câmeras de segurança registraram dois homens chegando ao local por volta das 2 horas da madrugada e ateando fogo ao monumento. Cerca de uma hora após o início do incêndio, às 3h14, o fogo já tinha avançado até um terreno vizinho ao estabelecimento, quando os bombeiros foram finalmente chamados.
Luciano Hang informou ao ABC Mais que esta foi a terceira vez que atearam fogo às estátuas da rede. Os casos anteriores ocorreram em São Carlos (São Paulo) e Porto Velho (Rondônia) e não foram solucionados. O empresário descreveu a ação como um ato de intolerância e um ataque ao direito de pensar diferente.
Criticou a impunidade nos casos anteriores e divulgou o número 0800-517-0051 para denúncias sobre os criminosos. A Havan informou que colaborará com as autoridades para que as investigações avancem o mais rápido possível e os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
O que Luciano Hang chama de intolerância nos ataques às estátuas?
Segundo o empresário, os incêndios das estátuas representam mais do que dano material a um símbolo da marca. Hang os considera um ataque ao direito de pensar diferente e à liberdade de expressão. Para ele, esses atos refletem uma sociedade que não aceita o contraditório.
As estátuas, por isso, representam o que a empresa acredita, e a empresa usa Liberdade como lema. O empresário ressaltou que a impunidade dos três casos anteriores (Petrolina, São Carlos e Porto Velho) agrava a percepção de que atos de ódio não estão sendo coibidos.










