Um pão integral comprado na padaria da esquina pode ter tanto açúcar quanto uma fatia de bolo, mas o ingrediente aparece disfarçado em nomes que poucas pessoas reconhecem no rótulo. Dextrose, maltodextrina, xarope de milho e concentrado de suco de frutas são formas do mesmo ingrediente escondidas em produtos que parecem inofensivos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o açúcar represente, no máximo, 10% das calorias consumidas por dia. Em uma dieta de 2000 calorias, esse limite equivale a 50 gramas por dia, e o brasileiro médio consome cerca de 50% a mais.
Os nomes que escondem o açúcar nos rótulos
A nutricionista funcional integrativa Angelina Zapponi alerta que muitos consumidores não reconhecem os nomes usados pela indústria nas embalagens. Sacarose, glucose, oligossacarídeos e frutose são alguns exemplos que aparecem nos rótulos sem despertar suspeita.
Essa confusão leva muita gente a buscar alternativas consideradas mais naturais, como mascavo, demerara, de coco ou cristal. A pergunta que fica é se essa troca realmente representa um ganho para a saúde ou só uma mudança de rótulo.
Calorias praticamente idênticas entre os tipos
Todos os tipos de açúcar (refinado, mascavo ou demerara) fornecem cerca de 4 calorias por grama, segundo Zapponi. A diferença entre eles está em pequenas quantidades de minerais e em um índice glicêmico levemente menor, não no valor energético.
O mascavo passa por menos etapas de processamento e retém mais melaço, o que confere um leve teor mineral ausente no branco refinado. Essa vantagem, porém, é pequena demais para transformar o produto numa fonte relevante de nutrientes. O demerara segue lógica parecida, com processamento um pouco distinto do mascavo.
Por que a origem natural não garante benefício
Os açúcares presentes naturalmente em frutas e legumes vêm acompanhados de fibras, vitaminas e minerais que ajudam o organismo a absorver essa energia de forma mais equilibrada. Já o açúcar adicionado pela indústria, seja ele branco ou mascavo, chega isolado, sem esse pacote nutricional que acompanha o alimento in natura.
É esse contraste que explica por que trocar o açúcar refinado por uma versão de aparência mais rústica não resolve o problema de fundo. A diferença de cor ou textura não muda o impacto que o excesso de açúcar tem sobre o corpo ao longo do tempo.
O que realmente importa na hora de escolher
Segundo Zapponi, nenhum tipo de açúcar pode ser chamado de saudável de forma absoluta, o que existe é uma questão de equilíbrio. Moderação é a palavra-chave, e o ingrediente, qualquer que seja sua forma, deve entrar na dieta com parcimônia, dentro de uma alimentação variada e rica em nutrientes.
A nutricionista esportiva Deborah Lestingi reforça que monitorar o consumo evita riscos associados ao excesso, como diabetes tipo 2, problemas cardíacos e obesidade. Trocar o branco pelo mascavo sem reduzir a quantidade total ingerida continua sendo consumo excessivo, só que com uma embalagem mais convidativa.
Esse critério vale para qualquer troca: reduzir a quantidade total ingerida importa mais do que escolher uma versão de aparência diferente.
Quando reduzir açúcar de um tipo para outro não resolve o problema
Trocar o açúcar refinado pelo mascavo só reduz o consumo se vier acompanhada de uma redução na quantidade total ingerida. Manter a mesma porção muda apenas a cor e o sabor: como todos os tipos fornecem cerca de 4 calorias por grama, o impacto no corpo permanece. A embalagem pode parecer mais natural, mas não deixa de representar consumo excessivo.










