Furtos de telhas e calhas agravaram a deterioração da Estação Ferroviária de Rio Grande, no interior do Rio Grande do Sul, o que levou a prefeitura local a adotar medidas emergenciais para conter os danos ao prédio. O município já removeu o que restava do telhado e passou a cobrir a estrutura com lona, numa tentativa de barrar a entrada de chuva.
Sobrevoos feitos por drones revelaram que parte das telhas e calhas originais havia desaparecido, o que deixava a chuva penetrar sem barreira na construção. Parte do telhado desabou antes de a equipe perceber a extensão do problema.
Por que o prédio corria risco de colapso
Em entrevista ao GZH, o arquiteto e secretário-adjunto de Planejamento Daniel Cougo afirmou que por agora, o foco não é recuperar o prédio, e sim frear o processo que vem degradando a construção. Segundo ele, interromper esse processo é necessário antes de qualquer projeto de recuperação completa.
Segundo Cougo, a remoção das telhas alivia o peso sobre a estrutura do telhado, já comprometida pela umidade. A água infiltrada poderia danificar ainda mais as vigas e outros elementos de sustentação, acelerando um possível colapso.
Peças históricas serão guardadas para o restauro
Elementos com valor histórico e cultural identificados durante a obra emergencial serão catalogados e armazenados. A ideia é que esse material volte a integrar o prédio quando um projeto de restauro for finalmente executado.
A equipe técnica também prevê escoramentos internos e a retirada de partes que ameacem a estabilidade da construção. Segundo Cougo, o salvamento consiste em preservar os elementos de valor histórico e cultural para que voltem ao prédio quando a restauração acontecer.
Um marco da economia regional desde 1884
Erguida em 1884, a Estação Ferroviária de Rio Grande fez parte da antiga Estrada de Ferro Rio Grande-Bagé e ligava o interior do Estado ao porto marítimo. Com a desativação das atividades ferroviárias, o imóvel enfrentou décadas de abandono, invasões e degradação progressiva.
A prefeitura estima que a recuperação completa da estação custará entre R$ 14 milhões e R$ 15 milhões, valor que pode mudar conforme os projetos técnicos avancem. Cougo disse que o cronograma será longo e exigirá a continuidade do poder público nas próximas fases. Ainda não há data definida para o início das obras de restauro.
A intervenção atual é bancada com recursos próprios do município e segue acompanhada por órgãos ligados à preservação do patrimônio. Por ora, a meta é manter de pé um dos prédios mais simbólicos da cidade enquanto o projeto de restauração é desenhado.
Como a água danifica a estrutura metálica e de madeira do prédio
A chuva que entra pela cobertura danificada não apenas molha o interior. Ela inicia um processo de deterioração que enfraquece os elementos de sustentação. A umidade constante corrói o ferro das estruturas metálicas e apodrece a madeira das vigas, reduzindo sua capacidade de suportar peso.
Quanto mais tempo a água penetra, mais profundo se torna o dano. As vigas e estruturas comprometidas pela umidade ficam cada vez mais frágeis, até que um desabamento parcial ou total se torne possível. Foi o que começou a acontecer na Estação de Rio Grande antes de a equipe perceber a extensão do problema.
Por que remover as telhas alivia a estrutura do telhado
A estrutura do telhado perde resistência com a umidade, mas continua suportando o peso das telhas. Removê-las reduz a carga sobre a estrutura enfraquecida e diminui o risco de colapso. Além de aliviar o peso, a retirada permite proteger o que resta da construção. Com as telhas removidas, a equipe abre espaço para instalar lonas impermeáveis e bloquear a entrada de água. Sem reduzir a carga, a estrutura poderia ceder mesmo com a lona.
As etapas da contenção de danos que estão em andamento
- Retirada cuidadosa das telhas remanescentes da cobertura
- Instalação de lonas impermeáveis para reduzir a infiltração de água
- Escoramento de partes internas para garantir estabilidade
- Remoção de elementos internos que coloquem em risco a estabilidade do prédio
- Catalogação e armazenamento de peças com valor histórico e cultural
Cada ação prepara a seguinte. O objetivo agora não é restaurar o prédio, mas deter o avanço da deterioração e preservar o máximo possível para que ainda haja material e estrutura quando o projeto de restauro começar.
Quanto tempo levará até que o prédio seja realmente restaurado?
A prefeitura ainda não definiu uma data para o início das obras, já que o restauro depende de várias etapas anteriores: a elaboração de projetos técnicos, a catalogação do acervo histórico e a busca por recursos financeiros. O custo total estimado para a recuperação da estação fica entre R$ 14 milhões e R$ 15 milhões.
A etapa emergencial em andamento é apenas o primeiro passo: interromper a deterioração enquanto o plano de restauro é desenhado nos próximos anos.
O papel que a estação teve no desenvolvimento de Rio Grande
Construída em 1884, a Estação Ferroviária ocupou posição de destaque na antiga Estrada de Ferro Rio Grande-Bagé, responsável por ligar o interior gaúcho ao porto marítimo. Essa ligação foi fundamental para o desenvolvimento econômico da região, pois permitia que produtos do interior chegassem aos navios para exportação.
Quando as atividades ferroviárias foram desativadas, o prédio perdeu sua função econômica. Sem uso, ficou abandonado por décadas e acumulou invasões, furtos e danos progressivos. A situação se agravou recentemente com o roubo de telhas e calhas, deixando o símbolo do progresso regional entre os prédios mais ameaçados da cidade.










