Na redação do Enem e de outros processos seletivos, a escolha adequada das palavras que conectam as ideias pode fazer diferença no desempenho do candidato. Conhecidas como conectivos, essas expressões ajudam a estabelecer relações entre frases e parágrafos, tornando a argumentação mais clara e organizada. O uso excessivo de termos como “além disso” e “portanto”, porém, pode comprometer a fluidez do texto e demonstrar pouca variedade de recursos linguísticos, aspecto considerado na avaliação da escrita.
A Cartilha do Participante estabelece que a competência 4 da prova avalia justamente o domínio dos recursos linguísticos usados para sustentar a argumentação. A seguir, uma lista com os principais grupos de conectivos, que ajuda a ampliar o repertório e deixar o texto mais fluido.
Conectivos de adição
Servem para somar ideias dentro do mesmo raciocínio, reforçando um argumento já apresentado. Em vez de repetir “além disso” o tempo todo, é possível alternar com “ainda”, “também”, “não só… mas também” e “da mesma forma”. Essa variação evita que o parágrafo soe repetitivo e demonstra domínio do idioma a quem corrige a prova.
Conectivos de conclusão
Fecham um raciocínio ou introduzem a síntese de um argumento desenvolvido ao longo do parágrafo. Palavras como “logo”, “portanto”, “dessa forma” e “por conseguinte” cumprem essa função, mas pedem moderação. Usar sempre o mesmo termo de conclusão em todos os parágrafos é um dos erros mais comuns de quem está treinando para o exame.
Conectivos de comparação
Estabelecem relação de semelhança ou proporção entre duas ideias, pessoas ou situações citadas no texto. Expressões como “assim como”, “tal qual”, “da mesma maneira que” e “tanto quanto” entram nessa categoria. São úteis quando a redação usa um exemplo histórico ou social para reforçar o argumento central do texto.
Conectivos de oposição
Marcam contraste entre duas ideias, apontando uma ressalva ou um ponto de vista diferente do que foi dito antes. “No entanto”, “contudo”, “todavia” e “por outro lado” fazem esse papel. Esse tipo de conectivo é frequente quando o candidato apresenta um problema e depois discute os limites de uma solução.
Conectivos de alternância
Indicam escolha entre possibilidades, geralmente usados quando o texto propõe caminhos distintos para resolver uma questão. “Ou”, “ora… ora”, “seja… seja” são os exemplos mais comuns. Esses termos ajudam a organizar propostas de intervenção quando existe mais de uma alternativa viável.
Conectivos de exemplificação
Introduzem um caso concreto que ilustra o argumento defendido, tornando a tese mais palpável para quem lê. “Por exemplo”, “como”, “a saber” e “tal como” cumprem essa função. Um exemplo bem conectado ao parágrafo fortalece a argumentação sem exigir dados extensos.
Conectivos de causa e consequência
Ligam um fato à sua origem ou ao efeito que ele provoca e são essenciais para explicar por que um problema existe. “Porque”, “visto que” e “devido a” indicam causa; “por isso” e “consequentemente” indicam efeito. Esse par é um dos mais usados na redação dissertativa-argumentativa, já que o Enem pede análise de causas e impactos sociais.
Conectivos de Negação
Servem para negar uma ideia ou afastar uma possibilidade levantada anteriormente no texto. “Não”, “nem”, “tampouco” e “de modo algum” fazem parte desse grupo. Usados com cuidado, ajudam a refutar um argumento contrário antes de apresentar a tese defendida pelo candidato.
Conectivos de dúvida
Expressam incerteza ou possibilidade, indicando que uma ideia ainda não é um fato consolidado. “Talvez”, “possivelmente”, “é provável que” e “quem sabe” entram nessa lista. São menos comuns em redação argumentativa, mas aparecem quando o texto discute hipóteses ou cenários futuros ligados ao tema proposto.
Praticar a alternância entre esses grupos, parágrafo por parágrafo, é o caminho mais direto para evitar a repetição dos mesmos termos. A falta de variação pode gerar o chamado “eco”, quando o texto acumula palavras ou terminações muito semelhantes repetidas várias vezes, o que resulta em perda de pontos na avaliação. Quem varia os conectivos ao longo do texto mostra domínio da competência 4 e evita que a redação pareça um rascunho repetitivo. Exercitar o uso correto desses termos ajuda a entender o significado de cada um e evita aplicações equivocadas.
O que significa na prática articular bem as partes do texto
Articular bem as partes significa conectar cada parágrafo ao anterior sem criar “buracos” lógicos que confundam o leitor. Na prática, isso envolve usar, no início do parágrafo, um conectivo que estabeleça claramente a relação com o que foi dito antes. Se você vai contrapor uma ideia, use “contudo” ou “no entanto”; se vai exemplificar, use “por exemplo” ou “como”; se vai aprofundar, use “além disso” ou “ainda mais”. Essa articulação permite que o corretor compreenda imediatamente o fio condutor do raciocínio e pode resultar em pontuação mais alta na competência 4.










