Durante o Paleolítico Superior, aproximadamente 40 mil anos atrás, a sobrevivência humana dependia principalmente da caça e da coleta de recursos disponíveis no ambiente. As comunidades se movimentavam constantemente à procura de alimentos e regiões com melhores condições de vida, perseguindo animais como renas, cavalos e rinocerontes para garantir seu sustento.
Esses grupos já tinham corpo e estrutura semelhantes aos de seres humanos atuais, segundo o arqueólogo Renato Kipnis, da Universidade de São Paulo. A Pré-História soma mais de 2,5 milhões de anos, lembra Kipnis. Nesse período, os primeiros hominídeos deixaram de apenas aproveitar carcaças abandonadas e passaram a caçar com técnica e a domesticar animais.
Uma divisão de tarefas entre o grupo de homens e mulheres
Cercar rebanhos em desfiladeiros facilitava o golpe final contra as presas. Arcos, flechas e lanças impulsionadas por propulsores — um tipo de estilingue primitivo que aumentava o alcance do ataque — eram feitos de madeira, com pontas de osso ou pedra lascada.
Havia uma divisão de tarefas entre os gêneros. Enquanto os homens participavam da caçada, as mulheres, acompanhadas de crianças, coletavam frutos silvestres, fonte de vitaminas, minerais e carboidratos que completavam — e muitas vezes sustentavam — a alimentação da família.
Da caçada ao armazenamento da carne
Assim que um animal era abatido, parte da carne ia direto para as fogueiras coletivas, enquanto outra porção era seca para ser consumida até o inverno. As cinzas podem ter funcionado como tempero rudimentar e ajudado a conservar os alimentos armazenados.
Facas e talhadores de pedra lascada cortavam a carne, enquanto raspadores de pedra ou osso retiravam a pele do animal sem danificá-la. O couro virava roupa ou cobertura de cabana, e nada do que era abatido se perdia, e cada família envolvida na caçada recebia sua parte do animal.
Mudanças forçadas pelo frio extremo
Uma era glacial levou populações inteiras do norte da Europa para o sul do continente, em busca de temperaturas mais amenas. Com mais gente concentrada em menos espaço, os territórios que sustentavam grandes caçadas começaram a escassear.
Com a escassez desses territórios, coelhos, peixes e crustáceos passaram a ocupar mais espaço na dieta, complementando e às vezes substituindo as grandes caçadas que exigiam dezenas de pessoas trabalhando juntas. A caça só deixou de ser o centro da sobrevivência humana quando os animais começaram a ser domesticados, marcando uma mudança na história da alimentação.










