O cantor Netinho faleceu na última terça-feira (13), em decorrência de um câncer do sistema linfático. Seu último endereço era uma mansão na praia de Guarajuba, em Camaçari, no Litoral Norte da Bahia, entre o mar e uma lagoa. A propriedade carregava a marca de sua trajetória musical.
O local contava com uma piscina em formato de violão. O instrumento marcou a carreira do artista desde os 14 anos, quando ele recebeu o primeiro violão de presente da mãe. As imagens do local apareciam com frequência nas redes sociais de Netinho, especialmente em vídeos de exercícios físicos nos quais a área ao redor da piscina servia de cenário.
Convivência e tratamento na mansão
A residência em Guarajuba também servia de espaço de convivência: Netinho recebia amigos e familiares. Nos últimos meses de vida, o imóvel se tornou cenário do tratamento contra a doença, diagnosticada havia mais de um ano e que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Nos dias finais, porém, o artista estava internado em um hospital particular de Salvador. Por vontade dele, o corpo foi velado e cremado de forma reservada na quarta-feira (14), em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos, em um cemitério da capital baiana.
Herança e trajetória do ídolo
Netinho deixou apenas uma filha, Bruna Trindade, que usou as redes sociais para homenagear o pai. Ainda não há definição pública sobre o destino da mansão. Conforme o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, Bruna e os demais herdeiros vão receber os rendimentos por direitos autorais de Netinho pelos próximos 70 anos.
Natural de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho nasceu em 12 de julho de 1966. Aos 10 anos, mudou-se para Salvador e teve os primeiros contatos com a música. Aos 16, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador, conciliando os estudos com pequenos shows em bares.
Ele estreou como cantor da Banda Beijo no carnaval de Salvador de 1988, ano em que também emplacou o sucesso “Beijo na Boca”. Depois, vieram outros sucessos, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”. Com “Milla”, lançada em 1996, três anos após o início da carreira solo, Netinho alcançou o auge. Símbolo da axé music, a música o transformou em ídolo nacional, com apresentações em países como Itália e Chile.
Como empresário, montou um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, por onde passaram artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Criou também um selo para revelar novos artistas baianos.
Bruna é filha de Netinho e da jornalista Mariana Trindade, que foram casados de 1997 a 2003. A mansão com piscina em forma de violão permanece como símbolo de uma carreira construída entre o Recôncavo Baiano e os palcos de todo o país.










