Oitenta e um por cento prontas: assim está a maior fábrica de celulose do mundo, erguida pela Arauco em Inocência, Mato Grosso do Sul. O cronograma, que já prevê início das atividades no quarto trimestre de 2027, caminha 6% adiantado em relação ao planejado.
Produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano é a meta da unidade batizada de Projeto Sucuriú, assim que a operação entrar em regime pleno. Para chegar lá, a companhia aportou US$ 4,6 bilhões num dos maiores investimentos industriais já registrados no estado.
Seis mil postos de trabalho devem surgir entre as áreas industrial, florestal e logística depois da estreia da fábrica. O Estadão apurou que outras fontes apontam para o primeiro trimestre de 2028 como horizonte mais realista de entrada em operação plena. Ainda que a previsão inicial da empresa mantenha outubro a dezembro de 2027.
Onde fica e como nasceu o Projeto
Às margens do Rio Sucuriú, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência, o complexo ocupa 3.500 hectares de área. Ali, a divisão de celulose da Arauco estreia no Brasil depois de uma etapa de terraplanagem iniciada em 2024.
Mais de 14 mil vagas durante a obra
Capacitação e geração de emprego caminham juntas no canteiro de obras: mais de 14 mil oportunidades já foram abertas até agora, somando contratações diretas e indiretas. Profissionais experientes dividem espaço com trabalhadores em formação, preparados especificamente para as rotinas da nova planta industrial.
Impostos arrecadados na região e novos investimentos atraídos para o entorno fazem parte do que a empresa projeta como retorno econômico do empreendimento. Renda extra para famílias locais também entra nessa conta, segundo a companhia.
Ferrovia própria liga fábrica a portos
Antes mesmo da fábrica funcionar, um ramal ferroviário deve estar pronto e em operação no primeiro semestre de 2027.
Uma “shortline”, como são chamadas as ferrovias de curta extensão, nunca tinha sido construída no país sob o novo marco regulatório ferroviário — e é esse o modelo adotado aqui. Custos mais baixos e menor emissão de carbono são esperados dessa combinação entre trem e madeira produzida pela própria empresa.
Clima favorável, terras disponíveis e infraestrutura logística ajudam a explicar por que o Brasil virou destino de investimentos como esse, na avaliação do executivo da Arauco. O país reúne cerca de 11 milhões de hectares de árvores cultivadas, uma base que sustenta não só a celulose, mas outros negócios ligados à bioeconomia.
Abastecimento de madeira já está garantido
A meta da companhia é consolidar ao longo de 2027 toda a estrutura florestal necessária para sustentar as atividades nos anos seguintes.
Outras indústrias de celulose também atuam na região, mas isso não preocupa a Arauco: cada companhia mantém sua própria base florestal para abastecer as respectivas unidades. Reforçando a infraestrutura do entorno, a distribuidora Vibra vai investir R$ 45 milhões na construção de um posto dentro da própria fábrica, destinado a fornecer combustíveis e lubrificantes para toda a operação.
Com ferrovia, base florestal e abastecimento de combustível alinhados ao cronograma industrial, o Projeto Sucuriú caminha para se consolidar como uma referência global na produção de celulose de fibra curta.










