Um dos maiores atores da história do Brasil, Tarcísio Meira faleceu em agosto de 2021 aos 91 anos. Em sua trajetória pessoa, ele foi reprovado na seleção do Instituto Rio Branco em 1957 e, a partir daí, trocou o sonho da diplomacia pelos palcos, telas e televisores do país, onde se consagrou como um dos grandes nomes da dramaturgia nacional. Um resultado diferente naquela prova talvez tivesse colocado seu nome em outro rumo profissional.
Nascido em São Paulo em 5 de outubro de 1935, ele acumulou mais de 60 trabalhos televisivos, 22 longas-metragens e 31 peças de teatro ao longo de uma carreira que atravessou décadas. Batizado como Tarcísio Magalhães Sobrinho, ele chegou a se candidatar à vaga na instituição ligada ao Itamaraty, na expectativa de seguir carreira como diplomata.
Ao receber o resultado negativo, abandonou o projeto diplomático e se entregou à atuação. Escolheu o sobrenome Meira, da família materna, por uma superstição da época: evitar que o nome completo tivesse 13 letras.
Do acaso à descoberta da vocação
Tarcísio nunca havia imaginado virar ator até que uma oportunidade surgiu num grupo amador. Em entrevista à revista Manchete, Clarice Lispector perguntou sobre seus planos anteriores, e ele disse que tudo foi circunstancial: preparava-se para o curso diplomático quando aquela chance inesperada apareceu. Ele reconheceu que as circunstâncias o levaram a um caminho que não havia previsto.
Antes de estrear profissionalmente, já havia integrado o elenco de montagens teatrais, entre elas Chá e Simpatia e Quando as Paredes Falam. Em 1959, estreou em O Soldado Tanaka, a convite de Sérgio Cardoso. Foi uma experiência de grande responsabilidade, pois dividiu o palco com um dos principais nomes do teatro brasileiro.
Da cena teatral aos personagens inesquecíveis
No fim dos anos 1950, chegou à televisão, e em 1961, apareceu em Uma Pires Camargo, no Grande Teatro Tupi, consolidando sua presença na televisão. Deu vida a figuras que marcaram gerações de telespectadores, caso de João Coragem em Irmãos Coragem, Renato Villar em Roda de Fogo e Giuseppe Berdinazzi em O Rei do Gado.
Seus últimos trabalhos na televisão foram A Lei do Amor, em 2016, e Orgulho e Paixão, em 2018. Tarcísio Meira faleceu em 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, em São Paulo, após complicações decorrentes da covid-19. Deixou um legado de personagens que marcaram diferentes períodos da teledramaturgia brasileira, além de trajetória expressiva no teatro.
E no cinema, uma história que prova como uma porta fechada pode abrir outras bem maiores do que se imaginava.










