A Cultura Inglesa, instituição dedicada ao ensino de idiomas, planeja destinar R$ 90 milhões para abrir seis colégios próprios nos próximos três anos. A estratégia marca uma transformação profunda: a rede busca reduzir a dependência dos cursos de inglês, que hoje representam 82% da receita — uma queda significativa comparada aos praticamente 100% de quatro anos atrás.
O desafio que a empresa enfrenta é típico de instituições que precisam se reinventar em mercados em mutação. O segmento de idiomas perdeu força antes mesmo da pandemia, enfrentando concorrência crescente de escolas bilíngues, aulas com professores particulares e plataformas digitais. A Cultura Inglesa sentiu diretamente esse impacto na quantidade de alunos e no faturamento.
Transformação em múltiplas frentes
A saída encontrada pela instituição combina diferentes caminhos: expansão por franchising, ofertas de educação digital, programas bilíngues para outras escolas e agora a entrada no mercado de colégios próprios. Recentemente, a rede lançou unidades nos bairros da Mooca e na Vila Mariana, em São Paulo, como primeiros passos dessa expansão.
Dentro do negócio tradicional, a instituição já criou produtos complementares como cursos de férias, aulas particulares reformuladas e ofertas para maiores de 60 anos. No digital, cerca de 10 mil dos 45 mil alunos das unidades próprias já estudam remotamente. Os sistemas bilíngues atendem aproximadamente 110 instituições parceiras e 25 mil alunos.
O motor do crescimento: modelo de franquias
O franchising se tornou o principal impulsionador da expansão, e a aceleração teve início no final de 2024, e atualmente a rede opera 59 unidades próprias. E 65 franquias, com outras ainda em processo de implantação — cerca de 90 franquias já foram comercializadas. Entre 40 e 45 franquias são vendidas a cada ano.
A ambição é alcançar aproximadamente 300 unidades até 2030. Esse crescimento resulta de dois fatores combinados: a força de uma marca que só recentemente abraçou o franchising de forma agressiva, e a disponibilidade de espaço geográfico ainda não ocupado pela concorrência.
Enquanto competidores já ocupam diversas regiões do país, a Cultura Inglesa ainda encontra oportunidades em cidades de médio e grande porte.
Liderança na transformação estratégica
Há pouco mais de dois anos, o CEO Wilson Diniz comanda essa reinvenção institucional. Com quase 20 anos de experiência no setor Educacional. Ele chegou à Cultura Inglesa após aproximadamente 11 anos na Cruzeiro do Sul Educacional, onde supervisionou a entrada de fundos de investimento e coordenou o processo de IPO da companhia.
Durante esse período, liderou a área de educação a distância e integrou o conselho de administração do CNA, rede de escolas de idiomas. Encontrou uma marca consolidada, mas inserida em um mercado transformado. A primeira ação foi revisar o negócio essencial da instituição, ajustando suas operações tradicionais enquanto criava novos fluxos de receita.
Antes da pandemia, a rede tinha mais de 130 escolas próprias. Número que caiu para menos de 100 — reflexo das dificuldades do setor que a empresa agora tenta reverter por meio dessa nova estratégia.










