A atriz Arlete Salles, de 88 anos, transformou sua residência no Rio de Janeiro em um espaço que resgata memórias da mãe e homenageia as raízes nordestinas. Com décadas dedicadas ao teatro, à televisão e ao cinema, a pernambucana constrói sua história pessoal com objetos, cores e símbolos que ocupam cada canto da casa.
Tons pastéis revestem as paredes, onde se distribuem fotografias, quadros e itens religiosos que formam uma galeria de afetos. Cada detalhe da casa remete à trajetória da artista: da ligação com a mãe ao encantamento pelas chuvas, que a fazem lembrar a infância em Pernambuco.
A permanência da mãe na memória
Fotografias de Severina, mãe de Arlete, ocupam lugar central na decoração da casa. Embora tivessem temperamentos distintos e passassem por pequenos atritos, as duas nunca moraram separadas. As imagens das duas mantêm esse vínculo vivo no espaço.
A convivência por décadas marcou a vida da atriz. As fotos registram diariamente uma relação que atravessou o tempo sem se romper e preservam o afeto que Arlete mantém até hoje.
Saudade de casa traduzida em arte
Arlete comprou em Recife, durante um aniversário marcado por melancolia, uma tela com a palavra “afeto” gravada. Ela encontrou a obra em uma galeria local enquanto buscava algo que expressasse o que sentia naquele momento longe de casa.
A nostalgia da terra natal aparece em toda a residência. Arlete mantém intacto o sotaque que a identifica como pernambucana, mesmo após décadas no Rio. Também preserva o fascínio pela chuva caindo na janela, fenômeno que aprendeu desde pequena a ver como símbolo de vida e renovação.
Fé e companhia dos animais
Uma imagem de São Francisco de Assis, protetor dos animais, ocupa lugar de destaque entre os objetos pessoais. A devoção ao santo reflete a ligação de Arlete com os cães, cuja companhia ela considera indispensável para o bem-estar diário.
A espiritualidade e o amor pelos animais ajudam a compor o ambiente da casa. No espaço, arte, fé, memória da mãe e raízes nordestinas se encontram.










