Frederick York fotografou em 1870, no zoológico de Londres, o único quagga vivo cuja imagem é conhecida. O animal era uma subespécie de zebra que desapareceu da Terra em 1883, sem que quase ninguém percebesse o fim de sua linhagem. Nativo da África do Sul, media cerca de 1,3 metro e pesava até 230 kg.
A aparência mais marcante do quagga era o padrão que o tornou conhecido: listras castanhas cobriam apenas a metade frontal do corpo. E se dissipavam gradualmente na traseira, deixando a parte posterior com tom uniforme e liso, e essa característica rendeu ao animal uma reputação quase mítica.
Um som que nomeou a espécie
Os quaggas viviam em bandos organizados, com estrutura social clara: um líder, seu harém de fêmeas e filhotes. Quando percebia que algum membro se afastava do grupo, o líder emitia um som vocal característico — um relincho gutural e distintivo. Essas vocalizações inspiraram o nome dado pelos povos nativos da região: quagga.
A caça predatória que acabou com a espécie
A extinção começou com a chegada dos bôeres, fazendeiros holandeses que se estabeleceram na África do Sul. Os colonizadores enxergavam o quagga como recurso: sua carne alimentava populações, e o couro tinha valor comercial. Havia ainda um segundo incentivo: os animais competiam pelo mesmo pasto que o gado europeu criado nos rebanhos dos colonos.
O último quagga na natureza foi avistado em 1872, e em cativeiro, o último exemplar morreu no zoológico de Amsterdã, na Holanda, em 1883. Ninguém reconheceu a morte como o fim definitivo de uma linhagem inteira.
A ciência descobre a possibilidade do retorno
Décadas após o desaparecimento, o sul-africano Reinhold Rau examinou amostras de DNA extraídas de zebras preservadas em zoológicos europeus. A análise mostrou que o quagga não era uma espécie biologicamente separada, mas uma variação genética dentro do grupo das zebras comuns.
Esse achado abriu a possibilidade de recriar o animal, e o Quagga Project seleciona e cruza zebras da mesma região sul-africana de origem para tentar recuperar suas características visuais e comportamentais. O objetivo final é devolver à natureza um exemplar capaz de reproduzir o padrão singular de pelagem que definiu o quagga.










