Um jovem de 32 anos processou a plataforma de apostas DraftKings após perder mais de 2 milhões de dólares em jogos, incluindo o fundo destinado ao seu casamento. De acordo com a ação judicial apresentada em 24 de junho em corte federal de Chicago, ele também perdeu o emprego e chegou a considerar o suicídio antes de buscar ajuda profissional.
O residente de Illinois, nos Estados Unidos, Dane Miller, abriu sua conta na plataforma em 2020 com apostas iniciais modestas. Na ação, ele acusa a empresa de ignorar sinais óbvios de comportamento compulsivo e de acelerar sua dependência ao remover proteções, enquanto promovia falsamente seu compromisso com “jogos responsáveis”.
Como a plataforma intensificou o vício
Segundo a reclamação, a empresa identificou rapidamente seu potencial de lucro e o promoveu a VIP em maio de 2021. Nessa condição, ele recebeu promoções frequentes, aumentos de ganho, apostas gratuitas, créditos da plataforma e ingressos para eventos esportivos profissionais, incluindo acesso a um camarote no estádio Soldier Field.
Depois da promoção, as apostas casuais de Dane Miller evoluíram para um comportamento compulsivo. Para financiar o hábito crescente, ele fez saques de cartão de crédito, contraiu empréstimos pessoais e sacou dinheiro de sua conta de aposentadoria 401(k).
A dependência se agravou depois que ele perdeu o emprego, em setembro de 2024, quando o patrão descobriu que ele apostava constantemente e ele recusou ajuda da família.
A crise e o caminho para recuperação
No mês seguinte, no auge da dependência, ele redigiu uma nota de suicídio e foi internado com ideação suicida severa. A ação judicial destaca que apenas duas semanas antes da hospitalização, a plataforma havia enviado cinco créditos de 200 dólares para atraí-lo de volta ao app. Após receber alta hospitalar, em 5 de novembro de 2024, ele reinstalou o aplicativo quase imediatamente. Segundo a ação, o episódio demonstrou a força da dependência.
A recuperação começou quando ele ingressou em um programa intensivo de tratamento ambulatorial, concluído em dezembro. Quatro dias antes do Natal, inscreveu-se voluntariamente na lista de autoexclusão de Illinois, que o impede legalmente de apostar em qualquer estabelecimento do estado.
Alegações sobre manipulação algorítmica
A ação acusa a plataforma de usar algoritmos personalizados que reforçam ilusões de controle, exploram aversão ao risco e incentivam a recuperação de perdas. Segundo o processo, o sistema identifica momentos de vulnerabilidade emocional e oferece estímulos personalizados precisamente cronometrados para manter o engajamento dos usuários.
Segundo a ação, isso cria um ciclo contínuo de perseguição de perdas, marca da transição de jogos recreativos para o comportamento patológico. A estratégia faz os usuários superestimarem sua habilidade e a probabilidade de vitória, o que aumenta o engajamento e reforça o comportamento compulsivo.
A advogada Yvonne Flaherty, integrante da equipe jurídica do caso, disse ao Independent que a plataforma tem responsabilidade legal porque, ao colocar o produto no mercado, tem a obrigação de torná-lo razoavelmente seguro.
Plataformas de apostas esportivas online operam legalmente em vários estados dos EUA, mas enfrentam crescente escrutínio sobre práticas que podem facilitar a dependência entre jogadores vulneráveis.










