A fábrica de motores da Toyota localizada em Porto Feliz, no interior de São Paulo, está retomando as operações após ficar um ano parada por causa do temporal de setembro do ano passado. A fundição, setor mais castigado, é a primeira área reativada e já produz 400 motores por dia.
Dos 800 funcionários que trabalhavam na planta antes da destruição, 150 retornam agora à fundição. Os demais foram remanejados para a unidade de Sorocaba, também no interior paulista, ou passaram a atuar na implantação da nova estrutura em Porto Feliz.
Como a produção seguiu funcionando
Motores e componentes produzidos nas operações da Toyota no Japão, na Europa e na Ásia mantiveram abastecidas as fábricas brasileiras enquanto Porto Feliz estava fora de operação. Essa articulação internacional permitiu à montadora retomar a fabricação de veículos no país cerca de 40 dias após o temporal atingir a planta.
Enquanto isso, um condomínio industrial provisório, montado na própria cidade, passou a executar etapas essenciais da produção. A usinagem e a montagem continuam nessa estrutura temporária, que funcionará durante toda a transição. Nela, continuaram a ser fabricados os motores 1.5 flex utilizados pelo Yaris Cross, mantendo a montagem desse modelo no Brasil.
Uma reconstrução que também moderniza
A Toyota não está apenas reerguendo o que existia antes do temporal: a companhia aproveita a obra para atualizar processos. E ampliar a participação da unidade na estratégia de eletrificação da marca no país. As novas estruturas erguidas em Porto Feliz são 45% mais resistentes que as anteriores, resultado direto das lições deixadas pelo desastre climático.
A meta de produção, quando a fábrica estiver de volta ao pleno funcionamento, é alcançar 700 motores diários somando diferentes famílias de propulsores. Cerca de 400 unidades devem sair dos motores 1.5 flex, enquanto os motores 2.0 — usados em modelos como Corolla e Corolla Cross — devem responder por 300 unidades.
O desafio de mudar de estrutura sem parar
Ainda falta transferir de volta todo o maquinário instalado no complexo provisório para a fábrica definitiva, tarefa que exige cuidado redobrado. O motor 1.5, desenvolvido com características específicas para o mercado brasileiro, é o ponto mais sensível dessa mudança.
Uma das possibilidades em estudo é formar previamente um estoque suficiente de motores, o que permitiria transferir e reinstalar as máquinas sem provocar uma paralisação prolongada da fábrica de veículos.
A conclusão da obra está prevista para 2028, e o projeto integra um ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões que a Toyota pretende aplicar no Brasil até 2030. Esse aporte abrange produção nacional, desenvolvimento tecnológico e a expansão de motores eletrificados dentro do portfólio da marca no país.










