Granizo de tamanho excepcional representa a ameaça mais grave que um helicóptero pode enfrentar durante o voo, segundo uma análise do comandante Hamilton, piloto experiente dos telejornais brasileiros. A revelação surgiu em entrevista ao site Caras Brasil, onde o especialista comentou sobre o acidente que resultou na morte do cantor Rick, da dupla com Renner, e outras quatro pessoas em Santa Catarina, ocorrido na última segunda-feira, 21.
O helicóptero Bell 430 que caiu é um bimotor homologado para voos por instrumentos. A aeronave pode voar sem visibilidade externa, usando apenas as referências do painel. Essa capacidade técnica, porém, encontra um limite crítico diante de granizo intenso. Imagens do local revelaram pedras de gelo do tamanho de uma laranja, capazes de causar danos graves a uma aeronave.
Por que o granizo derruba helicópteros
Uma forte chuva de granizo atinge a aeronave como uma sequência de projéteis. Se acertar uma pá do rotor ou quebrar o para-brisa, pode derrubar o helicóptero. Os ventos fortes causam oscilação e balanço, que os pilotos conseguem controlar com técnicas adequadas, e o granizo, porém, não oferece margem de manobra segura.
Pilotos experientes evitam essa condição climática assim que a detectam nos radares. Mesmo aeronaves maiores, como aviões comerciais, já sofreram danos sérios com granizo intenso. Os helicópteros, porém, são ainda mais vulneráveis por causa da estrutura e do peso: uma pancada frontal de gelo de grande volume pode danificar componentes vitais em frações de segundo.
A queda e os primeiros achados da investigação
A aeronave caiu em uma área de mata de difícil acesso e ficou desaparecida por cerca de 24 horas, até o Corpo de Bombeiros localizá-la. A região registra chuva intensa e nevoeiro, o que dificulta a visibilidade.
Um detalhe relevante da investigação é a ausência de sinal do transmissor de localização. O equipamento deveria acionar automaticamente após um impacto forte e enviar um sinal ao satélite para indicar que a aeronave está em pane.
A ausência do sinal deixa três possibilidades: o equipamento pode não estar a bordo, pode não ter funcionado corretamente ou pode não ter acionado no impacto. Hamilton informou ao Caras que as autoridades priorizam entender se houve falha humana, falha mecânica ou uma fatalidade climática.
As três causas possíveis sob investigação
O impacto com o solo foi muito forte, conforme mostram os destroços. O Cenipa, órgão que investiga acidentes aéreos, deve examinar cada componente da aeronave para determinar se houve falha humana, falha mecânica ou fatalidade climática. A reconstrução completa envolve verificar se o helicóptero entrou voando ou desceu em pirueta.
Uma hipótese é que o piloto tenha enfrentado granizo intenso e não conseguisse fazer o que pretendia: voltar para um local seguro ou pousar em terreno apropriado. Outra possibilidade é que a aeronave tenha entrado em condição de falta de visibilidade e continuado voando até colidir com o solo.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) segue trabalhando para identificar qual foi o evento inicial que desencadeou a sequência de falhas e avaliar como elas se sucederam. Para a aviação em geral, sempre interessa saber o que aconteceu para que haja mais segurança no futuro.










