Um professor de biologia trocou seu emprego formal pela elaboração de jogos e hoje possui um faturamento de R$ 1,2 milhão em sua empresa. A virada na vida de Sam Adam Hoffmann começou quando ele percebeu que os alunos estavam cada vez mais desinteressados nas aulas de sua disciplinas e nas demais matérias. Ele recorreu à gamificação, um método de ensino que usa mecânicas de jogo para manter a atenção da turma e facilitar o aprendizado.
Do quadro-negro à sociedade empresarial
Enquanto se aproximava do universo empreendedor, Sam passou a acompanhar as ações de Vanessa Cristiane Motta de Matos e de sua filha. Mariana Motta de Matos Rosa, que dedicavam parte do tempo a levar noções de educação financeira a estudantes da rede pública. A parceria entre os três deu origem, em novembro de 2022, à Investeendo, companhia que desenvolve jogos sobre finanças pessoais tanto para colégios quanto para empresas.
Para tirar o negócio do papel, os sócios reuniram R$ 6 mil, divididos igualmente entre os três — cerca de R$ 2 mil de cada. Boa parte desse valor foi usada na produção do primeiro kit pedagógico e em testes realizados com turmas parceiras, além de cobrir gastos operacionais como ferramentas digitais, serviços do Google e contabilidade.
Esse período inicial também funcionou como um teste da metodologia, permitindo avaliar se o conteúdo produzido de fato contribuía para o aprendizado dos estudantes.
O aprendizado que virou faturamento
Um dos maiores obstáculos enfrentados por Sam foi aprender a estruturar uma empresa do zero. Ele trabalhou por mais de dez anos como professor de biologia e ganhava cerca de R$ 5 mil na profissão. Faltava material de referência voltado especificamente para quem quer empreender dentro do setor educacional, mesmo com tanto conteúdo disponível sobre negócios em geral.
O principal produto da empresa é um aplicativo gamificado, usado dentro das instituições de ensino para ensinar educação financeira e empreendedorismo. Os estudantes recebem missões e tarefas e, à medida que avançam, acumulam moedas digitais que podem ser usadas para simular aplicações em renda fixa e renda variável. É uma forma prática de entender conceitos como liquidez, carência, risco e rentabilidade.
Da moeda virtual à gestão de empresas fictícias
O aplicativo também permite que os colegas negociem entre si, reproduzindo em pequena escala a dinâmica de um mercado financeiro real. Cada colégio tem uma loja personalizada, onde os professores trocam as moedas acumuladas pelos alunos por benefícios, como fazer prova em dupla, ganhar minutos extras de recreio ou reservar a quadra no intervalo.
Fora do ambiente digital, a companhia também criou o “Desafio Empreendedor”, um material voltado ao ensino prático de gestão. A equipe passa um tempo dentro de negócios reais para entender como eles funcionam. E depois transforma essa vivência em atividades para que os estudantes assumam miniversões dessas empresas, testando na prática decisões de administração e estratégia.
Um problema comum virou negócio
O modelo criado pelos três sócios ilustra como uma dificuldade enfrentada dentro da sala de aula pode se transformar em uma oportunidade comercial concreta. A proposta atraiu escolas justamente por unir conteúdo pedagógico a uma experiência prática, parecida com o que os alunos veem fora do ambiente escolar.
O salto de R$ 6 mil de investimento inicial para R$ 1,2 milhão em faturamento anual mostra que negócios voltados à educação financeira infantil. E juvenil têm espaço para crescer dentro e fora da rede pública de ensino.
Segundo Sam, o modelo é atrativo para estudantes por permitir aplicação em tempo real do aprendizado com gamificação, oferecendo acesso imediato aos benefícios gerados pela boa gestão dos recursos financeiros — um aprendizado lúdico e divertido que usa tecnologias para que os estudantes percebam claramente os efeitos da gestão.










