O Supermercados BH fechou 2025 com faturamento de R$ 25,7 bilhões e 420 lojas, a maioria em Minas Gerais. O negócio é comandado por Pedro Lourenço de Oliveira, empresário mineiro que também controla 90% da SAF do Cruzeiro Esporte Clube, comprada por R$ 600 milhões.
A rede cresceu 21% em 2025, enquanto a média de 227 companhias comparáveis do TOP 300 do Instituto Retail Think Tank avançou 8,6% no mesmo período. Esse crescimento colocou a companhia na nona posição entre as maiores varejistas do país.
Um gigante concentrado em Minas Gerais
O varejo alimentar brasileiro é fragmentado, mas o BH concentrou sua operação quase inteiramente em Minas Gerais. O setor movimenta cifras bilionárias em todo o país, enquanto a companhia mineira mantém sua atuação concentrada no próprio estado.
No ranking da Associação Brasileira de Supermercados, a rede aparece em quarto lugar nacional, atrás de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus. Vinte e três empresas mineiras figuram no TOP 300 do Instituto Retail Think Tank, somando R$ 106,4 bilhões — 8% de tudo que as 300 maiores varejistas do Brasil faturaram.
Expansão que muda a geografia do negócio
Aos 30 anos, completados em 2026, a rede começa a sair de Minas Gerais. Em abril, a companhia fechou acordo para comprar a DMA Distribuidora, dona das bandeiras Epa Supermercados e Mineirão Atacarejo.
A DMA soma R$ 8,9 bilhões em faturamento e ocupa a quarta posição entre as redes de Minas Gerais. Com a fusão concluída, o grupo de Pedro Lourenço passaria a somar cerca de R$ 35 bilhões e 600 lojas distribuídas por Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Pernambuco.
Cade ainda analisa parte do negócio
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica já autorizou parte da operação, que envolve 40 lojas, três postos de combustíveis e dois centros de distribuição. A companhia informou que aguarda as demais etapas formais do órgão.
Minas Gerais concentra a maior preocupação regulatória, já que BH e DMA têm presença sobreposta no território. Terceiro maior mercado supermercadista do país, o estado movimenta R$ 80,6 bilhões somando apenas as dez maiores redes locais.
Distância cresce entre líder e concorrentes
A empresa de Pedro Lourenço fatura o dobro do segundo colocado no ranking mineiro, e essa diferença vem se ampliando ano após ano. Descontado o efeito da inflação, o crescimento médio das 227 companhias comparáveis do TOP 300 ficou em 4,3%, o resultado mais fraco desde 2021.
Caso a compra da DMA se confirme, a receita combinada chegaria a aproximadamente R$ 34,6 bilhões e reduziria a distância em relação ao Grupo Mateus, terceiro colocado nacional, com R$ 43,5 bilhões. A empresa também ampliaria a folga sobre o Grupo Pão de Açúcar, que registrou R$ 20,6 bilhões.
O mesmo empresário por trás do Cruzeiro
O apetite por crescimento de Pedro Lourenço não se limita aos supermercados. A Forbes estima sua fortuna em cerca de R$ 7,5 bilhões, e o empresário atua no varejo e no futebol. O desfecho da compra da DMA pelo Cade deve definir se o Supermercados BH consolida de vez sua presença fora das fronteiras mineiras.










