A energia solar combinada com armazenamento em baterias tornou-se economicamente irresistível com a queda acentuada dos preços nos últimos anos, na avaliação do empresário Eike Batista em entrevista ao Canal Solar. O ex-bilionário disse que a redução do custo dos equipamentos fotovoltaicos e dos sistemas de armazenamento mudou a viabilidade de projetos residenciais, rurais e desconectados da rede elétrica tradicional.
Batista projetou que o avanço das energias limpas reduzirá gradualmente a participação do petróleo na matriz energética global e no setor de transportes. Na avaliação dele, o petróleo poderá ser negociado abaixo de US$ 30 em 2030, pressionado pela expansão da oferta internacional e pela crescente competitividade da energia solar associada ao armazenamento.
A queda de preços que muda o cenário
O empresário destacou que, há um ou dois anos, teria desaconselhado esse tipo de investimento, mas a evolução tecnológica e a redução de custos mudaram sua análise. O preço dos painéis solares caiu mais de 90%, e eles se tornaram progressivamente mais eficientes. As baterias tiveram redução semelhante, o que viabilizou uma tecnologia antes inacessível.
Durante a entrevista, Batista estimou em aproximadamente R$ 1 mil por MWh o custo da energia gerada por um sistema solar com baterias de última geração, contra R$ 2 mil por MWh para produzir a mesma quantidade com geradores a diesel.
Esses valores variam conforme a dimensão do projeto, a aplicação, o padrão de consumo, o custo dos equipamentos, a localização e as condições de financiamento disponíveis.
Quanto tempo leva para recuperar o investimento
Segundo o empresário, um sistema residencial pode recuperar o investimento inicial em aproximadamente cinco anos. Depois desse período de retorno, o sistema continua em operação por 25 a 30 anos e gera energia praticamente sem custo adicional.
A longa vida útil torna a tecnologia especialmente atrativa para propriedades com área disponível para a instalação dos módulos. Ela também pode ser usada em locais desconectados da rede elétrica convencional, o que amplia suas aplicações para além dos ambientes urbanos.
Baterias de sódio como próxima fronteira
Eike Batista também destacou as baterias de íons de sódio como alternativa promissora para aplicações estacionárias de armazenamento de energia. O uso de um insumo mais abundante que o lítio e a ampliação da produção industrial podem reduzir ainda mais o custo dessa tecnologia nos próximos anos. Ele disse que essas baterias poderão alcançar vida útil de até 100 anos.
Fabricantes chineses como CATL e BYD avançam na construção de fábricas e na produção industrial de baterias de sódio. No mercado brasileiro, a tecnologia de íons de lítio continua sendo a opção disponível em maior escala, segundo Batista. A maior parte da produção inicial das baterias de sódio vai para a China, que instala esses sistemas no país.










